seminário “educação acima de tudo” – ufpr – curitiba/pr

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A Fundação Leonel Brizola/Alberto Pasqualini e o Mandato do Deputado Federal Angelo Vanhoni, realizaram no sábado (03/03), em Curitiba, o Seminário “EDUCAÇÃO ACIMA DE TUDO”. Participaram como debatedores o senador Cristovam Buarque e o deputado federal Angelo Vanhoni, com a mediação do professor Angelo Souza, da UFPR. A mesa contou também com a participação do reitor da Universidade Federal do Paraná, Zaki Akel Sobrinho, do deputado federal Wilson Pickler e do deputado estadual Professor Lemos.

Vanhoni atualizou as informações sobre a tramitação da proposta na Comissão Especial da Câmara e apresentou as metas e diretrizes contidas no plano que visam diminuir a dívida histórica que o país tem com a educação. O deputado salientou também que a aprovação do PNE no Congresso é essencial para que estados e municípios possam avançar em suas políticas educacionais.

O senador Cristovam Buarque manifestou seu apoio para que o Plano Nacional de Educação seja aprovado e ressaltou que o país necessita de um esforço ainda maior para chegar a patamares equivalentes aos países desenvolvidos. Para Buarque, o Brasil precisa de uma revolução educacional porque não há como superar as desigualdades sociais a não ser através de uma educação igual para todos.

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Gostaria de cumprimentar o nosso querido senador Cristovam Buarque. Todos nós conhecemos a sua dedicação, o conhecimento que tem e a miltância que faz em prol da educação em nosso país. Já o fez como ministro da educação e tem a sua vida toda dedicada a esta tarefa importante e emancipadora do ser humano: a distribuição e aquisição dos instrumentos fundamentais para que cada um de nós possa exercer plenamente as suas potencialidades humanas e o desenvolvimento da razão crítica.

Compreendendo a educação de 0 a 3 anos, e de 4 a 6 até a formação de doutores no nosso país, passando pela universidade, pelo ensino médio, por todo o ciclo do ensino fundamental, pela educação de jovens e adultos, pela inclusão de políticas compensatórias que possam diminuir os gravíssimos problemas sociais que nós temos na sociedade brasileira, como a discriminação das mulheres, como a discriminação terrível contra os afrodescendentes, como o descaso que ainda temos com as populações indígenas no nosso país, com as nossas crianças e os nossos jovens que por terem tido desvios de conduta ainda estão nos presídios do nosso país. Então, o Plano Nacional tem um conjunto de metas que se relaciona e dialoga com estes fundamentais problemas da nação brasileira. No meu ponto de vista o plano tem dois eixos: primeiro incluir quem está de fora do sistema educacional e, mais do que incluir, políticas e diretrizes que possam fazer com que as nossas crianças permaneçam e concluam a sua educação.

Nós estamos com o seguinte cronograma, Cristovam. O texto recebeu 447 emendas no mês de dezembro. Terminou o prazo. Passou janeiro, fevereiro eu comecei a analisar, a ideia é de que nós terminemos esta análise no mês de março e então nós vamos proceder a votação na Comissão. São 25 deputados que vão decidir a respeito do Plano Nacional de Educacão. Se esta Comissão não tiver nenhum recurso, a decisão da Comissão é final. O texto depois será encaminhado para o Senado Federal. O senador Cristovam e os demais senadores vão analisar o texto da Câmara, poderão fazer mudanças neste texto, com certeza o farão, e posteriormente o texto volta para a Câmara para ter uma decisão final a respeito do plano.

Eu particularmente acho que vai ter recurso no plenário. Há uma demanda da sociedade civil. Há uma bandeira em relação a um ponto do Plano Nacional de Educação no que diz respeito ao financiamento. Vocês conhecem esta reivindicação de que o país faça um esforço para resgatar uma dívida histórica, uma dívida social que o Brasil tem com o conjunto de seu povo e nesse momento faça esse esforço consignando neste texto 10% do PIB para ser investido em educação na próxima década. No entanto, não será este percentual que deverá ser apreciado pela Comissão. Sendo assim, se a Comissão votar um percentual menor do que 10% alguns partidos vão requerer que este texto seja discutido no conjunto da Câmara, e nós acreditamos que isto deva acontecer. Então nossa perspectiva de aprovação na Câmara, se correr tudo bem, eu acredito que no final de abril, começo de maio, o texto estará terminado para votação na Câmara dos Deputados.

Angelo Vanhoni

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É uma satisfação estar aqui. Não só pela cidade, que eu gosto muito, mas também porque num sábado de manhã reunir um grupo tão grande para debater educação e todos chegando na hora é algo surpreendente! Isso mostra uma diferença que está acontecendo, e para discutir o segundo PNE, que foi fruto do trabalho de milhares de pessoas e trouxe um documento extremamente dificil, que o Vanhoni com a sua competência e dedicação está transformando num documento bastante completo e coerente, e eu o parabenizo, tanto que vai ser dificil depois no Senado a gente mudar muita coisa. Por isso vou falar do terceiro plano nacional de educação. Vou falar da revolução educacional que a gente precisa. É um processo muito mais longo e muito mais dificil e que depende da mobilização da sociedade brasileira.

No dia em que a escola do rico for igual a do pobre, os filhos dos ricos vão ter dificuldades, porque eles vâo concorrer com todos. Eu não conheço um filho de rico na seleção brasileira de futebol, porque a bola é redonda pra todos. Porque todos jogam dos 4 até os 17 anos, mas na escola tem umas redondinhas, e a maioria é quadrada. Tem uns que entram aos 4, ou até menos, aos 2 anos de idade e outros que só entram aos 7 ou 6. Tem uns que ficam até os 26 anos e tem outros que saem aos 14. É assim que a elite intelectual brasileira se formou. Excluindo! E ainda tem gente que é contra cotas para negros. Se todos que estudamos na universidade nos beneficiamos da cota de exclusão dos pobres. Cota pra negros é uma cota de inclusão para pagar uma divida racial que o Brasil tem. E a gente reclama, eu acho que tem ser temporária, porque tem que ser escola boa pra todos, e aí não tem que ter cota. Mas cada um de nós entrou na universidade porque seis ficaram de fora do ensino médio e não puderam competir.

Cristovam Buarque

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O seminário, que tratou dos desafios do novo Plano Nacional de Educação, reuniu mais de 300 profissionais, gestores e estudiosos do tema, lotando o auditório Ulisses de Campos, no Campus Jardim Botânico, da Universidade Federal do Paraná.

Fotografia: Gilson Camargo

ensino profissional marítimo – visita à capitania dos portos do paraná – paranaguá/pr

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Atendendo ao convite do comandante José Henrique Corbage Rabello, o deputado Angelo Vanhoni visitou as instalações da Capitania dos Portos do Paraná (CPPR), em Paranaguá, acompanhado pelo superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Airton Vidal Maron, e ouviu palestra sobre as atividades e estrutura da Capitania, além de seus projetos de expansão.

Neste ano de 2012 a Capitania tem como ações em curso: a reforma e ampliação física de suas salas de educação tecnológica e laboratório de recursos instrucionais; a criação do Centro de Ensino Aquaviário, fazendo do Paraná um pólo fomentador de mão de obra para a exploração do pré sal; e a finalização do projeto de construção de uma nova sede, orçada em R$ 8 milhões.

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Entre os temas que se referem específicamente à educação tecnológica e formação profissional está o encaminhamento da proposta de emenda parlamentar no valor de R$ 1.800.000,00 para a criação do Centro de Ensino Aquaviário (CEA), que visa a ampliação dos cursos já oferecidos pela Capitania e o atendimento à crescente demanda no setor. Os cursos são voltados para a qualificação de marítimos, fluviários, pescadores e mergulhadores. Um dos cursos ministrados pela CPPR no ano passado, teve 647 candidatos para apenas 35 vagas. As instalações datam de 1960 e falta à Capitania espaço e recursos para fomentar a parte acadêmica, sendo que a demanda cresceu muito. Os cursos oferecidos aumentaram de 8 em 2010 para 17 em 2011, assim como o número de vagas preenchidas subiu de 242 para 651 no mesmo período.

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A Capitania dos Portos do Paraná é a que oferece a maior quantidade de cursos no Brasil; não é o Rio de Janeiro e nem Santos, e somos a segunda maior em quantidade de público. A demanda tem aumentado e nós estamos fazendo todo o esforço possivel para tentar atender a esta demanda; seja aqui de Paranaguá como também de outros estados. As nossas instalações datam de 1960, tem mais de 50 anos, por isso a necessidade preemente de ampliação.
José Henrique Corbage Rabello

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A Capitania dos Portos do Paraná é uma organização militar subordinada ao comando do 5º Distrito Naval e tem o propósito de orientar, coordenar e controlar as atividades relativas à marinha mercante e organizações correlatas, no que se refere à segurança da navegação, defesa nacional, salvaguarda da vida humana no mar e prevenção da poluição hídrica, fazendo cumprir a legislação que regula os tráfegos marítimos, fluviais e lacustres, exercendo a fiscalização do serviço de praticagem e do tráfego aquaviário por intermédio de inspeções navais, emissão de documentos de habilitações e atividades de cunho administrativo. Atua ainda na coordenação do ensino profissional marítimo, no apoio à Defesa Civil em salvamentos, enchentes e catástrofes naturais, ajudando no transporte e abastecimento e, no âmbito cívico e social, promove eventos especiais com o ensino de prática marinheira, segurança em navegação e iniciação à vela.

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Airton Maron, superintendente da APPA, Angelo Vanhoni e o comandante José Henrique Corbage Rabello, durante passeio na baía de Paranaguá.

O comandante Rabello referiu também o projeto do Centro Cultural da Capitania dos Portos, que propõe a aquisição e restauro de um imóvel na Rua da Praia, no centro histórico de Paranaguá, de propriedade da Pontifícia Universidade Católica. Este, além de oferecer um espaço multifuncional para a comunidade, com sala de inclusão digital, abrigará também a exposição de um acervo de 15 nautimodelos que contam a história das embarcações no mundo. A exposição poderá itinerar por outras cidades do estado, incentivando os jovens a buscar qualificação profissional, divulgando a cultura marítima e o apreço pela navegação.

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Fotos: Gilson Camargo

32 anos do partido dos trabalhadores – entrevista com o jornalista roberto elias salomão

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Roberto Elias Salomão nasceu em São Paulo em 1953, formou-se em Jornalismo pela ECA/USP em 1979 e veio morar em Curitiba em 1980, tendo como um dos objetivos participar da formação do PT do Paraná. Foi secretário geral do diretório estadual do partido em dois períodos: de 1987 a 1990 e de 1997 a 1998, e presidente do PT Curitiba de 2001 a 2005. É autor do livro “Os Anos Heróicos” que conta a história do Partido dos Trabalhadores no Paraná desde a sua fundação em 1980 até o início da década seguinte, em 1992.

Blog Vanhoni: O Partido dos Trabalhadores surgiu nos momentos finais do regime militar. A ditadura, que obteve um certo apoio popular no período do milagre econômico, atingiu a sua própria obsolescência com o retorno da crise e da inflação no final da década de 70. Como foram estes anos que marcaram a transição democrática no Brasil e o início do PT?

Roberto Elias Salomão: O regime militar poderia estar podre, mas não caiu sem ter sido derrubado. No final dos anos 70 existia uma crise econômica, existia uma incapacidade do regime de manter a sua dominação. Não se podia manter a repressão como no início da década mas o regime ainda tinha margem de manobra. O general Figueiredo, então presidente, imaginou uma reforma partidária continuísta onde a Arena virou PDS e o MDB virou PMDB. Construíu um outro partido que veio a ser chamado de partido dos banqueiros, o PP, de Tancredo Neves e Magalhães Pinto, que juntava os não tão à direita quanto os da Arena e os nem tão à esquerda como o PMDB, e bolou ainda outro partido que era o PTB, mas não o PTB com as lideranças mais representativas do antigo PTB, que no caso seria o Leonel Brizola, mas na mão da Ivete Vargas, sobrinha do Getúlio Vargas; e as eleições de 1980 foram canceladas. O que se previa como estratégia era que esses seriam os partidos que iriam concorrer às eleições de 1982, que seriam eleições gerais, mas, não para presidente. Esse processo começou a fazer água quando o Brizola conseguiu construir o PDT. Continuou existindo o PTB oficialmente, mas o verdadeiro e antigo PTB passou a ser o PDT na mão de Leonel Brizola, tanto é que ele acabou ganhando as eleições para o governo do estado do Rio de Janeiro. E o segundo motivo que fez com que essa continuidade da ditadura sob outra forma não desse certo foi o PT.

O PT começou a ser gestado no final de 1978, começo de 1979, a partir das greves do ABC, de encontros de sindicalistas de várias categorias mas, principalmente dos metalúrgicos do ABC, Lula e outros, como um partido que rejeitava que os trabalhadores ficassem sob o comando tanto do PDS quanto do PMDB. Era um partido que tinha um compromisso ainda não muito claro com uma forma de socialismo, mas que punha como questão central, primeiro a representação independente dos trabalhadores e, segundo, a questão da democracia. A democracia foi vital para o PT no início da sua existência e continuou sendo vital nos anos seguintes, tanto que no mesmo ano em que estava sendo gestado o PT, nasce o sindicato Solidarnosc, na Polônia, que foi o início do processo de queda daqueles regimes, e o PT se solidarizou com o Solidarnosc por que o PT entendia que socialismo sem liberdade não era socialismo. Então o regime militar começou a deixar de existir por um impulso dos opositores do regime. Ele não cairia sozinho.

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Blog Vanhoni: Qual o papel da resistência popular na derrubada do regime militar, como a luta armada e os movimentos estudantis que antecederam as greves no ABC em 1979?

Roberto Elias Salomão: Existiu um processo de resistência a ditadura militar desde que ela se instituiu, mas o processo de luta armada foi absolutamente derrotado. Em 1973 já não existia mais luta armada. As organizações clandestinas tinham sido completamente desbaratadas, um monte de gente foi morta, presa, torturada, exilada e assim por diante. Há um periodo que a gente pode caracterizar como de luta sem massa, porque os grupos armados estavam cada vez mais isolados da massa. Isto é um processo de autocrítica que estes próprios grupos fizeram. Não é uma opinião de alguém de fora.

A partir de 1975 a gente pode começar a ver um reinício do movimento de massas contrário a ditadura militar. Eu participei de um dos momentos mais importantes, que foi a greve da ECA, a Escola de Comunicação e Artes da USP, em 1975. Uma greve que durou 73 dias, na qual o objetivo era derrubar o diretor, um português facista, o Manuel Nunes, o que evidentemente não conseguimos; mas foi uma revolução na cidade e foi uma revolução não só do ponto de vista do reacenso do movimento de massas, mas também do ponto de vista do movimento cultural. A ECA era considerada a escola mais alienada da USP, a escola dos “fumetas” e dos “jacarés”, que era o pessoal lagarto, que só ficava tomando sol. A partir da greve da ECA, ela passou a ser a escola mais politizada do campus e foi o sinal para o reerguimento do movimento estudantil. Em 1976 nós reconstruímos o DCE da USP, em 1977 reconstruímos a União Estadual dos Estudantes de São Paulo. No começo de 1977 nós saímos pela primeira vez para rua e começamos a gritar “abaixo a ditadura!”. Lá por maio de 1977 nós fizemos manifestações no centro da cidade. As imagens existem até hoje, de bombas de gás lançadas contra os manifestantes encostados na parede, uma confusão geral na cidade, e em julho, quando teve a reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, o plenário da SBPC aprovou uma carta pedindo a redemocratização do Brasil. Logo após, no dia 11 de agosto, data do sesquicentenário da instalação dos cursos jurídicos no Brasil também foi feita uma carta que passou para a história falando da redemocratização.

O que eu queria deixar claro é que o movimento estudantil precedeu estas duas manifestações dos intelectuais. Ele já vinha num acúmulo de lutas desde 1975, que não se limitou a USP, mas aconteceu em vários locais. Aí veio a primeira greve do ABC, em 1978, e quando aconteceu a segunda greve nós ja tínhamos um movimento sindicalista no sentido de construir um outro partido. Ninguém falava ainda na sigla PT, mas a idéia era essa, um partido dos trabalhadores, e o partido acabou sendo fundado oficialmente no dia 10 de fevereiro de 1980.

Então o PT é herdeiro desta luta do povo brasileiro, da juventude, dos estudantes e dos intelectuais. O PT absorveu o que havia de mais expressivo entre os militantes que estavam voltando com a anistia a partir de 1979. Neste livro eu registrei a volta de um dos exilados que depois virou dirigente do PT no Paraná, o Vitório Sorotiuk, além de  militantes de várias organizações que entraram no partido. O PT reuniu sindicalistas, a juventude, intelectuais, militantes anistiados, militantes da igreja, e a partir daí começou a fazer história no país.

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Blog Vanhoni: O surgimento do PT no Paraná, como ocorreu? Foi centrado em Curitiba ou partiu também de outras cidades?

Roberto Elias Salomão: Tem um episódio interessante. A primeira discussão em relação a formação do PT ocorreu em janeiro de 1979, em Lins, São Paulo, numa reunião de sindicalistas, e a partir daí começou a se falar em Partido dos Trabalhadores. A comemoração do 1° de maio aqui em Curitiba foi na Vila Nossa Senhora da Luz. Eu entrevistei um companheiro, o Davi da construção civil e outros que falaram que aquele 1° de maio já foi um encontro petista, que a idéia de um partido dos trabalhadores já estava tomando conta dos militantes de bairro, das favelas e dos sindicalistas. Para confirmar isso temos o congresso de fundação da UNE, em Salvador, em 1979, onde foi feito um abaixo assinado pela formação de um partido dos trabalhadores. A diferença é que aqui o movimento sindical era muito fraco. Nós tivemos dois movimentos de uma certa expressão em Curitiba: a Oposição Metalúrgica, vários fundadores do PT estavam nela, e o Sindicato da Construção Civil, mas o PT encontrou em Curitiba um forte apoio no movimento dos bairros.

Tem um companheiro nosso, o Jairo Graminho, que é um velho militante que participou da revolta dos colonos e ele afirma textualmente que o PT do Paraná nasceu da favela. O PT aqui teve que fazer uma série de adaptações na sua estrutura e na sua forma de ser porque não tinha a mesma composição de São Paulo, Minas ou Rio de Janeiro. Era uma situação bem diferente e nós, a partir desta reunião de militantes em Curitiba começamos a nos organizar. Aí tem toda uma teia de contatos, tem ex-militantes da organização da época da luta armada, de ex-exilados, que tinham companheiros em Londrina, Arapongas, Rolandia e assim por diante, outros que em função da sua atividade profissional conheciam e contataram trabalhadores de outras cidades, militantes da igreja acabam se incorporando ao PT, e como a igreja tinha uma estrutura muito ramificada o partido acaba crescendo, mas no momento da legalizaçao do PT nós atingimos exatamente o número de municípios que precisavamos, nenhum a mais.

Nós conseguimos legalizar o partido em 59 municípios. Na verdade, nas 59 zonas eleitorais, sendo que em Curitiba eram 5. Nós fizemos isso, mas o PT é um partido que ainda carrega, neste começo no Paraná, uma fragilidade que vai acompanhá-lo por algum tempo, fragilidade em termos de inserção no movimento sindical e fragilidade em termos de recursos. O partido nunca tinha dinheiro. As primeiras eleições que o PT do Paraná participou, em 1982, 1985 e 1986 foram feitas quase sem recurso nenhum.

Em 1982 apesar do resultado ruim nas eleições, o PT já conseguiu uma certa representação em várias cidades do estado. Em 1983 formamos a CUT no Paraná. O primeiro sindicato que constituiu a CUT foi o Sindicato dos Bancários de Londrina junto com o Sindicato da Construção Civil de Curitiba, mas a construção do PT varia de região para região. No Oeste e Sudoeste o peso dos trabalhadores rurais é muito grande.

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Blog Vanhoni: Você fala que o PT do Paraná nasceu nos bairros. Isso significa que as associações de moradores tiveram um papel importante na organização do partido?

Roberto Elias Salomão: As associações de moradores também, havia a União Central de Bairros e a Asssociação dos Moradores de Bairros, mas, além delas havia movimentos concretos como o movimento pela moradia, que teve grande expressão, o movimento contra a carestia, e havia o movimento em relação ao transporte coletivo. Particularmente, Curitiba experimenta a partir da criação da Cidade Industrial um inchaço muito grande e as condições de vida, transporte e moradia se tornaram explosivas. O Bairro Novo, por exemplo, foi uma conquista do movimento pela moradia. Estes movimentos acabaram sendo muito importantes para a consolidação do PT no Paraná.

Blog Vanhoni: Quais foram os maiores desafios do partido no estado na primeira década de sua fundação?

Roberto Elias Salomão: Eu já referi alguns deles, mas as coisas que o PT aqui vivia faziam também parte da conjuntura nacional. O PT teve quatro momentos nos primeiros anos, de isolamento total. O primeiro foi a decisão de fundar o PT e a legalizaçao do partido.

O segundo foi no processso eleitoral de 1982, quando aqui no Paraná nós fizemos menos votos que o número de filiados que tínhamos. Pior, em alguns municípios nós tivemos menos votos que o número de membros do diretório e, em alguns, pelo menos em um, com diretório formado e tudo nós tivemos zero votos. O que mostra a grande pressão naquele momento do voto vinculado.

O terceiro foi na questão do colégio eleitoral. Nós estavamos saindo da campanha das diretas derrotados. Saiu a candidatura do Tancredo contra o Maluf e todo mundo embarcou, só o PT que ficou sozinho. Não era uma questão de não escolher entre Tancredo e Maluf, mas, a ida para o colégio eleitoral significava a negação das diretas. Era um espaço ilegítimo de eleição para presidente.

O quarto momento foi em 1986, durante o Plano Cruzado, que significou uma vitória estrondosa do PMDB. Se você pegar a lista dos deputados estaduais daquele ano eleitos no Paraná você vai se surpreender. São nomes que nunca você veria associado ao PMDB. Todo mundo embarcou na canoa do Plano Cruzado, da Nova República, e o PT ficou absolutamente sozinho. Mas, a partir daí aprendeu. Nós elegemos apenas 16 deputados para a constituinte, mas estes deputados conseguiram ter um papel de destaque. Em 1989 o Lula foi candidato, e apesar de ser uma frente pequena, com PT, PC do B e PSB, nós conseguimos ir para o segundo turno. Então o PT saiu desta primeira década com bastante força. Tem alguns partidos que até cresceram mais, mas não com a firmeza de propósitos e ideológica do PT. Veja o partido do Collor, o PRN, que chegou a ser um grande partido, mas sumiu no ano seguinte.

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Blog Vanhoni: Dentro de uma convergência mais ampla, como é visto o PT fora do Brasil e qual o seu papel na atual esquerda mundial?

Roberto Elias Salomão: O PT teve um papel decisivo no arco da esquerda mundial nos últimos 30 anos. Já tinha antes da eleição do Lula, e a partir da eleição de Lula o PT e o governo do PT são uma referência mundial para a esquerda. Tem alguns elementos que levaram a isso. Primeiro, a queda dos regimes do leste europeu fez com que os partidos comunistas ligados a Moscou, depois ligados a China e a Albânia perdessem a sua capacidade de influenciar. A segunda coisa, foi que no governo Lula, de fato o PT demonstrou que sabia governar, não só mantendo a economia estabilizada como também distribuindo renda. Houve efetiva distribuição de renda em seu governo e o PT passou a ter um papel de destaque no cenário mundial. O PT hoje é uma referência. O Fórum Social Mundial, por exemplo, nasceu em Porto Alegre, cidade que o PT governou por 16 anos.

Existe hoje uma mudança geopolítica global. Tem uma projeção que fala que até 2020 o Brasil vai ser a 5° economia do mundo. E entre estes haverá 3 paises do BRIC: a China, a Índia e o Brasil. Há uma evidente crise nos grandes redutos do capitalismo: Estados Unidos, Europa e Japão. Nós estamos na aurora de um novo momento mundial. Tem líderes europeus falando que a Europa deveria aprender com a América Latina, com a forma como nós estamos lidando com a crise.

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Blog Vanhoni: E sobre o livro “Os Anos Heróicos”, que aborda os primeiros 12 anos do PT no Paraná, você pretende uma continuação deste trabalho?

Roberto Elias Salomão: Não sei. Mesmo porque uma continuação seria completamente diferente. Este primeiro livro me deu um prazer muito grande de escrever, de ir atrás dos documentos, das entrevistas com militantes. Nós fizemos de 8 a 10 seminários ouvindo militantes antigos, mulheres, sindicalistas e assim por diante… eu tinha a pretensão de saber tudo sobre a história do PT, mas aprendi ao escrever o livro que não sabia quase nada e passei a ter um respeito ainda maior pelos fundadores do partido, pelas dificuldades que enfrentaram, pelo grau de decisão que tiveram que tomar. Nós vivíamos as turras no começo do partido, discutiamos muito, e a gente vê retrospectivamente que houve um empenho, uma dedicação e uma entrega na construção do PT que foi fantástica!

Blog Vanhoni: O que você prospectaria para um segundo livro?

Roberto Elias Salomão: Olha, eu não faria neste formato. Talvez eu escolhesse temas: um histórico sobre a participação do PT nas gestões das prefeituras do Paraná; um segundo sobre a atuação do partido na Assembléia Legislativa; um terceiro abordando a evolução dos programas de governo do PT; um quarto sobre a evolução das políticas de alianças, mas não seria de uma forma tão cronológica.

Blog Vanhoni: Neste mês se comemora os 32 anos do PT. Como você vê esta data?

Roberto Elias Salomão: Eu acho que nós temos motivos pra fazer festa mesmo! Só acho que a festa não pode obscurecer a necessidade de uma discussão sobre os rumos do partido. O partido cresceu brigando, não só com os de fora, mas, brigando teoricamente dentro; a cada encontro era uma discussão. O PT nunca teve um momento onde houvesse uma unanimidade no rumo a tomar, porque os problemas eram inteiramente novos e as soluções não eram óbvias. Eu acho que hoje nós temos o mesmo tipo de problema que a gente enfrentou nos anos anteriores. Nós precisamos discutir. Abrir a discussão com o partido todo, discutir desde as nossas formas de organização, os caminhos que o PT vai tomar, como é que vai ficar o governo Dilma, por exemplo. Se nós estamos satisfeitos, se é isso mesmo, se não é, e assim por diante… o PT precisa ser autônomo em relação ao governo, ele precisa ter vida própria; coisa que está conseguindo ser agora, mas, no governo Lula teve um momento em que o governo quase eclipsou o PT. Eu tenho motivos não só pra festejar o passado, como pra estar otimista em relação ao futuro.

Fotografia: Gilson Camargo

internet e telefonia móvel e fixa para a área rural – morretes/pr

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Marco histórico em todo país, Morretes teve bem sucedido o primeiro teste de telefonia fixa, celular e internet na área rural, feita pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, na comunidade de Marumbi, nesta quinta-feira (16). Além do ministro, o evento contou com a presença do presidente da Anatel, João Rezende, do presidente da Oi, Francisco Valim, do prefeito de Morretes, Amilton de Paula, do presidente da Câmara Municipal, Mauricio Porrua e do secretário geral do PT do Paraná, o jornalista André Pioli.

O teste foi realizado na Escola Rural Municipal de Marumbi, onde o ministro usou um telefone móvel operando em 450 MHz para ligar de Morretes para Brasília. Ele conversou com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

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Em seguida, o ministro fez o teste de transmissão de dados utilizando um notebook para navegar na internet, acessando a página do Ministério das Comunicações onde abriu sua agenda de compromissos da quinta-feira e a galeria de ex-ministros da pasta. Paulo Bernardo realizou ainda uma ligação a partir de telefone fixo para o seu gabinete em Brasília. “Esta tecnologia será importante para que se possa quitar a dívida que o Brasil tem com algumas áreas rurais do país que hoje não têm acesso à internet”.

O presidente da Anatel, João Rezende, enfatizou que “garantir o acesso à informação será importante para melhorar as condições de vida da população rural do país”.

O presidente da Oi, Francisco Valim, empresa responsável pelos testes na frequência de 450 MHz, disse que “estamos fazendo parte da história da cobertura em regiões distantes, trazendo uma tecnologia nova que acreditamos que possa fazer uma diferença importante em um país de dimensões continentais como é o nosso”.

Satisfeito por ver a cidade de Morretes incluída num projeto de abrangência nacional, o prefeito Amilton de Paula agradeceu ao ministro a oportunidade de o município contribuir com um importante passo para o avanço do sistema de comunicação no Brasil. Ele lembrou que 45% da população morretense vive na área rural e este projeto será de grande importância para essas famílias e produtores rurais que terão acesso a internet, telefonia móvel e celular com maior qualidade.

Texto e fotos: Divulgação

palestra sobre o plano nacional da educação – guarapuava/pr

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Na noite desta sexta-feira, 10, o corpo docente da Faculdade Guairacá, em Guarapuava, recebeu para uma palestra o deputado federal Angelo Vanhoni, acompanhado pelo vereador Antenor Gomes de Lima. Na ocasião, o deputado que é Relator do Plano Nacional de Educação falou aos presentes sobre esse projeto que propõe metas e diretrizes a fim de melhorar a condição educacional do país. O plano propõe grandes desafios para os próximos dez anos, idealizando ações que vão desde a creche até a educação continuada (pós graduação, mestrado e doutorado) que modificam a situação atual e precária da educação brasileira em busca de um padrão de qualidade.

Dois grandes desafios foram apontados pelo deputado. Segundo Vanhoni, 11 milhões de crianças, entre 0 a 3 anos de idade,  estão fora das creches. Ele ressaltou a importância da atenção integral à criança e do atendimento especializado, para que nenhuma criança fique fora da escola e para que ela seja alfabetizada até, no máximo, os oito anos de idade.

Outro grande problema destacado é acerca do ensino médio. Cerca de 5 milhões de jovens não concluem o ensino médio no Brasil, e o  objetivo proposto pelo projeto, que deve ser aprovado ainda este ano pelo Congresso Nacional, é a criação de mais escolas técnicas. Essa seria uma das possibilidades propostas, a fim de apresentar oportunidades ao jovem, para que ele possa ingressar no mercado de trabalho com uma profissão.

Vanhoni destacou ainda, a importância dos investimentos nas escolas, mas, principalmente no corpo docente. “Não há como melhorar a situação da educação sem melhorar a condição dos professores”, afirmou. Segundo o deputado, no Brasil formam-se apenas 20 mil engenheiros por ano, enquanto que em outros países esse número chega a 200 mil, então a carência de profissionais é muito grande em diversas áreas, daí a importância dos investimentos na qualificação dos profissionais dessa geração.

Ao término da discussão sobre os planos da educação, Vanhoni elogiou a infraestrutura da Faculdade Guairacá e colocou-se totalmente à disposição para auxiliar em projetos de mestrado e doutorado da instituição, para melhorar ainda mais a qualidade dos professores.

texto e foto: Poliana Kovalyk
página da Faculdade Guairacá, 13/02/2012

cultura popular – entrevista com itaercio rocha – curitiba/pr

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Itaercio Rocha, músico, bonequeiro, carnavalesco e saci dos Garibaldis, nasceu em Humberto de Campos (MA), cidade que possui o maior bumba-meu-boi do Brasil. Foi sempre um estudioso das manifestações populares brasileiras e morou nas cidades de Olinda (PE), São Luis (MA), Campo Grande (MS), Rio de Janeiro e Maringá (PR) antes de se estabelecer em Curitiba a partir de 1996. Através de sua atividade artística e iniciativa, fomentou na cidade de Curitiba um bloco pré carnavalesco de grande expressão, que hoje reúne milhares de pessoas em suas apresentações no Largo da Ordem. Itaércio é presidente da Associação dos Amigos do Garibaldis & Sacis e nos concedeu essa entrevista em sua residência, neste sábado, 11/02, véspera da última apresentação do bloco no pré carnaval de 2012.

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Blog Vanhoni: Onde você nasceu e qual foi a sua trajetória antes de chegar em Curitiba?

Itaercio Rocha: Na verdade eu já tenho muito mais tempo de Paraná do que o resto da minha vida nos outros lugares. Eu me sinto mais paranaense, mas guardo a referência da minha infância e adolescência no Maranhão, em São José do Ribamar. Eu visitei no ano passado a vila onde nasci; Pedras, no município de Humberto de Campos, no Maranhão, onde só se chega de barco. Não tem luz elétrica nem água encanada. Construíram, ano passado, um posto médico para atender os casos mais sérios. Meu pai, minha mãe e meus irmãos nasceram lá. Depois a gente se mudou para São José de Ribamar, onde morreu meu pai, depois minha mãe, e eu fui para o Rio de Janeiro morar com meus tios. Em 1975 mudei para Campo Grande e em 1977 voltei para o Maranhão. Desta vez fui morar na capital, em São Luis, até 1982. Sempre fui apaixonado por São Luís e vivi intensamente esta cidade. Apaixonado de querer beijar as pedras!

Blog Vanhoni: E o teu interesse pela cultura popular, de onde vem?

Itaercio Rocha: Eu não tenho outro viés, não tenho outro caminho. Meu pai era músico de bumba boi, tocava cordas e era músico prático no interior do interior do Brasil, para acompanhar ladaínha, para acompanhar procissão, acompanhar bumba boi. Minha avó botava uma brincadeira de bumba boi, minha mãe botava pastoril. O meu entendimento estético é bumba boi e carnaval na veia.

Sempre tive o desejo de ser artista e trabalhar com arte educação. Com 12 anos cantei num festival no interior do Maranhão e depois fui cantar na capital. Eu fazia teatro na escola, acompanhava todas as atividades artísticas da minha mãe nas Festas de Nossa Senhora, na Festa de São Sebastião e na Festa de São Pedro, que ela trabalhava. Minha mãe visitava todas as festas de terreiro da cidade, as festas de Tambor de Minas, e as festas do Divino Espírito Santo. Ela era uma grande diretora de cena.

Quando saí do Maranhão, em 1982, morei 11 meses em Olinda e fui fazer teatro de bonecos lá. Fui estudar frevo, capoeira, caboclinho, mas eu já fazia bonecos no Maranhão. Lembro de ter assistido a dois espetáculos que me influenciaram muito. Um deles era chamado “Tempo de Espera” do Aldo Leites, que fez muito sucesso no Brasil e na Europa, e o outro se chamava “Cavaleiro do Destino”, que tinha bonecos gigantes, bonecos de vara. Eu me apaixonei e disse para mim mesmo: “é isso que eu quero fazer!”. Era um espetáculo todo na linguagem popular. Eu caí de cabeça nessa coisa de teatro de bonecos, que ligava teatro, dança e música, especialmente embasado na cultura popular do Maranhão daquela época. De lá para cá todo o tempo que eu moro na capital eu faço isso. Quando vou à Olinda vou fazer isso, no Paraná faço isso, volto pro Rio e faço isso.

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Blog Vanhoni: Como foi o início do bloco Garibaldis & Sacis e qual é o seu repertório atual?

Itaercio Rocha: Quando começamos o repertório surgiu das marchinhas de carnaval. Na verdade iniciou com as rodas de cacuriá que eu fazia no Largo da Ordem desde que cheguei em Curitiba, em 1984. Eu tinha um caso de amor pro lado de cá, era bonequeiro e a gente fazia umas rodas de cacuriá no Largo da Ordem. Em 1992 voltei para Maringá e fui depois morar no Rio de Janeiro, mas continuei frequentando Curitiba. Em 1996 vim morar aqui definitivamente, período em que cursei a FAP. Naquela época eu ouvi num programa de rádio alguém falar que o carnaval de Curitiba não era legal, algo como “parece que Curitiba não tem batuque”. Eu fiquei indignado. É impossível que se fale assim do carnaval de uma cidade no Brasil! Eu já tinha ido a terreiros de candomblé na cidade, frequentado o carnaval de Curitiba e percebido coisas incríveis. O desfile de rua aqui é aberto por um grupo de afoxé! Eu achei isso tão legal e ao mesmo tempo surreal. Isso é tão afro, tão bacana de se fazer, e acontece aqui em Curitiba! O carnaval do Rio não abre com um grupo de afoxé. O afoxé passa sem comenda, ele passa para abrir, ele vem limpando, consagrando o espaço onde vai acontecer o desfile. Eu achei isso muito bom.

Em 1998, quando morava no São Lourenço, liguei para alguns amigos e disse assim: Nós vamos fazer um grito de carnaval aqui em casa. A gente precisa fazer alguma coisa. Acho que até hoje ainda tem confete naquela casa. Na ocasião veio um pessoal do teatro de bonecos, a Olga Romero e alguns amigos da FAP, dentre eles o Ariosvaldo, que é o compositor do hino do bloco, e a Iara, e a gente começou a pensar ali em como arquitetar uma preparação para o carnaval. Eu fiquei pensando: se as pessoas falam que o carnaval não é legal é porque não tem uma preparação. O pessoal diz por aí que carnaval é uma coisa espontânea. Mas nada do humano é espontâneo. Não é como uma semente que o vento levou e ela nasceu em outro lugar sem a interferência de ninguém. O carnaval é um produto construído, elaborado, ensaiado. As pessoas se convocam, elas pensam a música, pensam a fantasia; é uma organização. Eu li em alguns livros um tanto sérios que dizem que o carnaval não é apenas uma inversão da condição social, ou de “status”, do não trabalho ou da folga. É como o Baktin coloca: “um espaço do grotesco e do popular para vencer o medo, o medo do feio e do triste do poder”.

Então voltando ao repertório, a gente gostava de cantar as marchinhas antigas, e fomos pesquisando. Queríamos cantar as marchinhas inteiras, não só o refrão, nós tinhamos o sentido de resgatar estas letras. Mas, sempre no final a cantoria inspirava uma roda de coco, ciranda ou cacuriá. Aos poucos foi vindo o afoxé e fomos incorporando também canções populares. A gente está cantando “Gralha Azul” do professor Inami Custódio Pinto e temos feito canções como “Flor do Cafezal”. Um outro detalhe é que a gente foi compondo especialmente para o bloco, não só marchinhas como funks, o que dá uma sonoridade completamente curitibana. Tem marchinhas e canções de compositores daqui, tanto que ano passado e neste ano a gente teve um concurso de marchinhas. Amanhã vamos declarar as vencedoras! Tem na internet, no facebook do Garibaldis & Sacis, o edital para o concurso.

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Público presente em 12/02/2012, última saída do bloco no pré carnaval deste ano, no Largo da Ordem.

Blog Vanhoni: Quem participa do Garibaldis & Sacis e quantas pessoas as apresentações tem reunido?

Itaercio Rocha: São profissionais de diversas áreas. Da iluminação, da música, das artes, da arquitetura. Tem professores, artistas e todos aqueles que acharam um jeito de uma vez por ano fazer uma atividade para gozo próprio. Isso já acontece há 13 anos.

No segundo encontro este ano, aqui em Curitiba, tinha mais de 20 mil pessoas no Largo da Ordem. Ano passado já tinha umas 15 mil pessoas ou mais. Pouca gente sabe que já há 10 anos a gente faz também o “Arraial da Anita” que é uma extensão do grupo. É uma festa junina fora de época, que começa em julho e agosto. Fazemos também o “Sarau do Saci” em setembro e outubro, que é uma coisa mais lírica, com contos de fadas e literatura, e agora temos o desejo de fazer um evento na semana santa e outro no natal.

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Itaercio, Melina Mulazani e Gerson Guerra, puxando o Garibaldis e Sacis na tarde de ontem, 12/02.

Blog Vanhoni: Quais são os próximos desafios para o grupo?

Itaercio Rocha: Precisamos nos organizar internamente para planejar as ações de forma ainda mais adequada. Para isso criamos no ano passado a Associação dos Amigos do Garibaldis & Sacis. Porque precisamos de patrocínio e financiamento, mas, acima de tudo a gente precisa proteger a cidade, proteger o folião, abrir um campo de conversa entre todos os poderes, entre o povo da Saúde, o povo da Cultura… a imprensa tem que assumir sua parte, a policia tem que assumir a sua parte. É um fato novo na cidade, gerador de novos conhecimentos. Precisamos ter a guarda abaixada e poder dialogar com todos, vivemos um momento de compartilhar as responsabilidades porque esta festa diz respeito a todos nós. Não se trata apenas de uma questão de policiamento ou segurança, mas da possibilidade de expressão da arte e da cultura em nossa cidade.

Blog Vanhoni: Amanhã a apresentação do bloco tem um sentido especial. Em função do episódio de violência policial ocorrido na semana passada, o grupo pediu aos foliões que se vistam de branco em sinal de paz. Como você está vendo isso tudo?

Itaercio Rocha: Olha, essa semana muita gente me perguntou isso. Vai ter, nao vai ter? Tá confirmado, não tá confirmado? Como vai ser? A gente nunca sabe, sempre dá um friozinho na barriga. E se o som não funcionar? Meu deus do céu, o dinheiro não vai dar pra pagar as contas! As camisetas que a gente não conseguiu vender esse ano vão ficar encalhadas? E se o surdo furar, se alguém faltar, se a bateria não chegar na hora? Porque é tudo tão frágil… a gente foi crescendo, crescendo, mas tem uma precariedade no fundo disso tudo, e aí a gente olha pra trás e pensa: poxa, está ótimo, antes era no gogó! Depois passou a ter um megafone que a pilha não dava até a metade do desfile e aí era no gogó de novo. A gente depois colocou um pequeno sistema de som com uma corneta, que era o que dava com o dinheiro que a gente tinha pra comprar, mas aquilo queimava trepidando em cima de um carrinho de supermercado. Dois anos depois veio uma Kombi que sempre deixava a gente na mão no meio da história. Esse ano estamos um pouco melhor, mas não temos ainda a aparelhagem que achamos necessária. Eu acredito que o desejo da gente de se livrar desta carga, de limpar o espírito, de lavar aquelas pedras do Largo da Ordem com alegria é muito grande e a aceitação da comunidade curitibana foi uma resposta muito imediata, muito precisa, que me deixou emocionado.

A coisa está dando certo porque existe um desejo latente de provar que nós somos a cidade sorriso. Nós não somos sisudos. A partir deste evento não tem mais o que discutir! Não cabe mais a pergunta se a gente tem carnaval ou não. Nós somos humanos como qualquer um, somos europeus como qualquer um pode ser, somos coloridos como o Brasil inteiro e gostamos de um balanço, adoramos uma música e adoramos cantar marchinhas.

Porque o que ficou em risco não é o Garibaldis & Sacis, é a prática da cultura! O que está em jogo, na verdade, é como é que a gente vai fazer arte nessa cidade? Como é que os artistas vão ser tratados? Como é que os eventos culturais vão ser tratados? Por que é que alguns eventos culturais são bem tratados e outros nem tanto? Qual é o espaço da cultura popular dentro da cidade? Por que é que tem que ser pensado como algo de fora? Por que é que tem que ser pensado sempre como algo novo, como se não existisse nada antes… Itaercio Rocha, 11/02/2012

Fotos: Gilson Camargo

incentivo a agricultura familiar – campo magro/pr

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A comunidade de Conceição dos Correias (imagem acima), em Campo Magro, no Paraná, recebeu nesta quinta feira, 12/01/2012 as chaves de uma retroescavadeira adquirida atráves de emenda parlamentar do deputado Angelo Vanhoni. O município tem hoje cerca de 1.300 pequenas propriedades rurais, uma agricultura familiar forte e um número expressivo de criadores de peixes.

O novo equipamento será utilizado na construção de viveiros para piscicultura, limpeza, manutenção ou melhoria de tanques antigos e pequenas obras de saneamento ambiental das propriedades rurais, bem como em obras para a instalação de projetos de irrigação.

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Sentados à mesa durante a reunião, a secretária municipal de Agricultura, Sandra Maria Ribas Machado e o prefeito de Campo Magro, José Pase.

“No início deste projeto, quando nos reunimos em 2009 aqui na Casa do Agricultor, o deputado Angelo Vanhoni estava junto com a gente e se comprometeu em ajudar nas nossas reivindicações. Ele levou esta demanda do Conselho de Desenvolvimento Rural de Campo Magro até Brasilia e nos destinou uma emenda parlamentar no valor de R$ 195 mil, que possibilitou a compra desta retroescavadeira que estamos recebendo aqui agora.”
Sandra Maria Ribas Machado, secretária de Agricultura de Campo Magro

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Em nome dos agricultores da região, o sr. Francelino Pereira Ribas recebeu do prefeito José Antônio Pase as chaves do equipamento disponibilizado. Representantes do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável estiveram presentes no evento para definir o número máximo de horas de uso a serem inscritas por ano para cada produtor beneficiado e as regras de compartilhamento dos custos de operação da máquina.

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As inscrições para o uso da escavadeira serão realizadas na Casa do Agricultor e, para programas de piscicultura, remoção de solo e limpeza de tanques as inscrições deverão ser feitas na Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente. A elaboração de projetos de piscicultura será feita por um técnico da Emater de acordo com as normas ambientais e encaminhado a Suderhsa para verificação da dispensa de outorga do uso da água.

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Localizado em Conceição dos Correias, o Morro da Palha, com 1.190 metros é o ponto mais alto de Campo Magro e proporciona uma visão panorâmica do município. A cidade conta com diversos atrativos para o turismo rural, esportes como vôo livre, paraglider e cavalgadas, além de diversas pousadas e excelentes opções culinárias nos restaurantes da região.

Fotos: Gilson Camargo

entrevista com angelo vanhoni – gazeta do povo/pr, 03/01/12

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“Continuo com a mesma visão: humanizar Curitiba, fazer dela uma cidade preocupada com as pessoas. E continuo com o mesmo diagnóstico porque o modo de governar a cidade continua igual”. Foto: Henry Milleo

Entrevista concedida à jornalista Caroline Olinda, publicada na Gazeta do Povo/PR, em 03/01/12

Ao ser informado de que a entrevista trataria da eleição para a prefeitura de Curitiba, o deputado federal Angelo Vanhoni (PT) hesitou. Relator do Plano Nacional de Educação na Câmara dos Deputados, disse que ainda estava muito envolvido com o projeto e a cabeça longe das discussões locais. Depois de alguma insistência da reportagem, aceitou falar.

Vanhoni mostrou que não está disposto a entrar numa briga interna para defender uma candidatura própria do PT. “Nenhuma candidatura pode ser obstáculo para a possibilidade de uma aliança. Mesmo porque eu acredito que todos os aliados têm propostas semelhantes”, disse.

Angelo Vanhoni (PT/PR) cumpre o segundo mandato como deputado federal, nasceu em Paranaguá em 1955 e foi candidato à prefeitura de Curitiba em 1996, 2000 e 2004. Nas duas últimas, chegou a disputar o segundo turno.

Integrante da ala majoritária do PT, o parlamentar foi lançado como pré-candidato em julho, depois que o deputado federal Dr. Rosinha e o deputado estadual Tadeu Veneri – das alas mais à esquerda – expuseram a vontade de disputar a prefeitura.

O PT quer só um candidato da base da presidente Dilma Rous­­­seff em cada capital. Como isso afeta Curitiba?
Antes de conversar sobre união, nós temos de expressar para a cidade um conjunto de propostas, ter um programa para Curitiba. O nosso partido acumulou uma visão da cidade e os seus principais problemas. Trataremos de precisar um diagnóstico sobre a cidade e as iniciativas que precisam ser tomadas.

A sua candidatura é irrevogável?

Nenhuma candidatura pode ser obstáculo para a possibilidade de uma aliança. Podemos conversar para ter uma unidade. Mesmo porque eu acredito que todos os aliados têm propostas semelhantes.

O senhor, então, não descarta a possibilidade de uma aliança?
Os partidos que têm proposta em comum podem discutir sobre a possibilidade de estarem juntos. Caso isso não aconteça, cada um se coloca e conversamos no segundo turno.

Quais lições o senhor aprendeu das três vezes que disputou a prefeitura de Curitiba?
Aprendi muito, a respeito de tudo. Cada campanha teve um momento. Em 1996 era uma candidatura frágil, em 2000 perdemos por um conjunto de fatores. Mas continuo com a mesma visão: humanizar Curitiba, fazer dela uma cidade preocupada com as pessoas. Em 1996, [o tema foi] Humana Curitiba. Na segunda eleição, o mesmo tema: A cidade quer ser gente. E continuo com o mesmo diagnóstico, porque o modo de governar a cidade continua igual.

Curitiba é uma cidade marcada por inovações, o senhor pensa em alguma inovação para a cidade?
Resgatar a energia intelectual que a cidade perdeu. Seja do ponto de vista social, seja da perspectiva da força urbana. Quero que a cidade se renove e inove fazendo uma relação com o seus valores.

(mais…)

exposição inaugural do museu de periferia do sítio cercado (mupe) – curitiba/pr

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Dentre os objetos que compõem a mostra estão utensílios e ferramentas utilizadas pelos moradores durante o período das ocupações irregulares nas décadas de 1980 e 90.

O Museu de Periferia do Sítio Cercado (MUPE) realizou sua exposição inaugural, intitulada “Memória e Sonhos do Sítio Cercado”, na última sexta feira, 16/12. A sede do museu fica na rua Francisco José Lobo, 213, no Xapinhal, em espaço compartilhado com a Associação de Moradores Nossa Senhora da Luta. A mostra estará aberta a visitação até o dia 23 de dezembro. Após este período as visitas podem ser agendadas para 2012. O MUPE conta com a consultoria técnica do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) através do Programa Pontos de Memória, do Ministério da Cultura.

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O artista plástico Claudinei Silvestre Pereira, residente no Bairro Novo e membro da Associação Família e Solidariedade, grafitou o muro do museu durante a abertura da exposição.

O processo de instalação do museu, que contou com o apoio do mandato do deputado Angelo Vanhoni, teve inicio em março de 2009 através de um intercâmbio entre integrantes do Museu da Maré e do (MUF) Museu de Favela (RJ) com moradores do Xapinhal, no Sítio Cercado, Curitiba. Após este contato a comunidade se organizou para solicitar as oficinas de museologia do IBRAM que ocorreram durante os anos de 2009 a 2011. O primeiro conselho gestor da entidade foi constituído em 22 de maio de 2010 com a presença dos consultores do IBRAM e de diversas lideranças comunitárias. A Assembléia de Fundação do Museu de Periferia do Sítio Cercado ocorreu na sede da Prefeitura Regional do Bairro Novo, no dia 15/04/2011.

Neste período o MUPE vem organizando ações de sensibilização para a memória viva do Sítio Cercado em escolas públicas, a exemplo do projeto “Como você vê o seu bairro?” realizado em parceria com a Escola Guilherme Lacerda Braga Sobrinho (CAIC), e também através dos diversos “Cafés da Memória“, identificando moradores antigos e reunindo as comunidades em torno do resgate de seus relatos da construção do bairro de maior adensamento populacional da cidade.

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Na imagem, da direita para a esquerda: Inês Gouveia, consultora do IBRAM, Marcelo Rocha, coordenador do MUPE, Palmira de Oliveira, conselheira e coordenadora do MUPE, José Paiva, fotógrafo, e Marcelo Vieira, cenógrafo. A abertura da exposição contou ainda com a apresentação artística do grupo de dança Ka-Naombo, da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (ACNAP).

Após um longo período de pesquisa e identificação de acervos documentais e fotográficos existentes no bairro, a montagem da exposição “Memórias e Sonhos do Sítio Cercado” foi concebida pelos integrantes do museu durante a oficina de expografia ministrada pelo artista plástico e cenógrafo carioca Marcelo Vieira, um dos pioneiros da museologia social no Brasil, Vieira realizou também a cenografia da primeira exposição do Museu da Maré no Rio de Janeiro, inaugurado em 2006.

A mostra conta com três momentos em sua dramaturgia: O periodo de formação do bairro, desde os primeiros moradores até os imigrantes pioneiros, as ocupações de terra a partir da década de 80 e a luta social por moradia, e o bairro nos dias de hoje, com seus avanços em infraestrutura e os diversos problemas decorrentes do grande adensamento populacional e dos altos índices de violência.

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O nome do atual bairro Sítio Cercado encontra a sua origem no passado de um sítio de 175 alqueires com o mesmo nome. Cercado pelas águas dos arroios do Padilha, Cercado e Boa Vista. O seu proprietário era o Sr. Laurindo Ferreira da Cruz, nascido em 1862, e casado com Maria Pereira de Andrade. Com a morte do Sr. Laurindo em 1932, o sítio foi dividido entre os seus 3 filhos: Júlia, Sezinando e Isaac. Isaac ficou com a casa paterna e a área de frente do sítio hoje formada pela vilas Rio Negro e Santa Celeste. Isaac casou-se com dona Magdalena Claudino da Cruz que lhe deu 3 filhos: Deusita, Eurides e Isaíde. Em 1947, após a morte precoce de sua filha Isaíde, o Sr Isaac abandonou o sítio e se mudou para o Pinheirinho. O sítio foi entregue aos cuidados de seu agregado José Gonçalves e sua esposa Ana. A partir de 1953 o Sr. Isaac, que já havia vendido 10 alqueires de terra, vende o restante da herança e o antigo sítio passa a ser dividido em loteamentos.

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É a partir dos anos 70, forçadas pelo êxodo rural, que milhares de famílias vindo inicialmente de Santa Catarina, depois do Norte do Paraná, vão ocupando os novos loteamentos. Nesta época surgem os loteamentos da Vila Americana (1968), Vila Nossa Senhora de Lourdes, Santa Joana, Jardim Tranquilo, Jardim Irati (1974), e outros. Mais tarde em 1978, a Vila Nova Aurora. Em 1985, a partir das desapropriações feitas pela prefeitura municipal para assentamento de famílias surgem as moradias Olinda e Del Rey. Em 1987, esta parte do Sítio Cercado contava com mais de 6.000 famílias ou aproximadamente 24.000 pessoas.

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Xapinhal, durante a ocupação em 1988 – acervo MUPE.

A grande explosão demográfica do bairro, no entanto, começou a acontecer a partir da década de 1980. Um dos marcos deste período é a ocupação do Xapinhal, palco do maior movimento social por moradia em região urbana da história brasileira. Em outubro de 1988, ocorreu a ocupação da área conhecida por Xapinhal, fruto de um trabalho organizado por 16 entidades comunitárias dos bairros Xaxim, Pinheirinho, Sítio Cercado e Alto Boqueirão. O movimento levou dois anos para se concretizar; teve início em 1986, e seu objetivo central era resolver o problema de moradia para a população desses bairros.

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O momento da conjuntura política e econômica nacional era o do início dos planos econômicos. O Plano Cruzado, criado em fevereiro de 1986, começou a desmoronar no final desse mesmo ano e início de 1987: os preços, inclusive dos aluguéis, descongelaram e os salários não acompanharam o ritmo, sofrendo perdas. Em junho de 1987, foi substituído pelo Plano Bresser, que registrou uma inflação inicial de 3,05% em julho de 1987, mas terminou, em janeiro de 1989, com a inflação na casa de 37%.

 

Diante desse quadro de desesperança, em 1988, ocorreu a primeira ocupação numa área particular, denominada Sítio Cercado. Nessa ocupação, os números finais apontaram a participação de 16 associações de moradores, 3.200 famílias e mais de 10 mil pessoas.

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Xapinhal 1988 – acervo MUPE.

O afluxo de famílias para a área atingiu uma dimensão tal que extrapolou em muito as expectativas daqueles que se prepararam longamente para o acontecimento. No total, foram oito levas de ocupação, chegando a ocupar a totalidade da área de 441.000 m2. Outras áreas do bairro foram ocupadas de forma semelhante na década de 90, dentre elas, a Vila 23 de Agosto e o Campo Serrado.

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Os Pontos de Memória têm por concepção reconstruir e fortalecer a memória social e coletiva de comunidades, a partir do cidadão e de suas origens, histórias e valores. Com metodologia participativa e dialógica, trabalham a memória de forma viva e dinâmica, como ferramenta de transformação social. Em estágio pleno de desenvolvimento, os Pontos de Memória são capazes de promover a melhoria da qualidade de vida da população e fortalecer as tradições locais e os laços de pertencimento, além de impulsionar o turismo e a economia local, contribuindo positivamente na redução da pobreza e violência.

Também são considerados espaços de referência nos territórios, por estarem associados a locais de riqueza histórica e cultural. Além disso, os pontos valorizam o protagonismo popular e concebem o museu como instrumento de mudança social e desenvolvimento sustentável. Ademais, entendem a memória como resultado de interações sociais e processos comunicacionais, os quais elegem aspectos do passado de acordo com as identidades e interesses dos componentes do grupo. Ainda por considerarem o patrimônio cultural como um processo social afirmativo de identidade coletiva e cidadania.

No momento estão em desenvolvimento 12 Pontos de Memória, situados em comunidades populares nas seguintes cidades: Belém/PA (Comunidade de Terra Firme); Belo Horizonte/MG (Comunidade do Taquaril); Brasília/DF (Comunidade da Estrutural); Curitiba/PR (Comunidade do Sítio Cercado); Fortaleza/CE (Comunidade Grande Bom Jardim); Maceió (Comunidade do Jacintinho); Porto Alegre/RS (Comunidade da Lomba do Pinheiro); Recife/PE (Comunidade do Coque); Rio de Janeiro/RJ (Comunidades do Pavão-Pavãozinho-Cantagalo); São Paulo/SP (Comunidade da Brasilândia); Salvador/BA (Comunidade do Beiru) e Vitória/ES (Comunidade do São Pedro).

 

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Contato para agendamento de visitas:
MUPE – Rua Francisco José Lobo, 213. Xapinhal, Curitiba, PR

(41) 9678-4399  / 8834-5228
e-mail: museudeperiferia.mupe@gmail.com
blog: mupesitiocercado.blogspot.com

Fotos: Gilson Camargo

encontro com a militância petista – análise de conjuntura para as eleições municipais 2012 – curitiba/pr

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A corrente interna do Partido dos Trabalhadores, Construindo um Novo Brasil, se reuniu neste sábado, 17/12 para fazer uma análise da conjuntura política para o pleito de 2012. Um dos assuntos da pauta, além do diagnóstico dos municípios onde há perspectivas de vitória do partido no Paraná, foi o encaminhamento da proposta da política de alianças para as eleições municipais do ano que vem. Segundo a presidente do PT de Curitiba, Roseli Isidoro, o encontro de sábado teve por objetivo abrir esta discussão na ala majoritária do partido, contudo, as definições e decisões finais sobre o rumo que o PT adotará ano que vem no tocante às eleições majoritária e proporcional serão definidas oficialmente apenas no encontro municipal que ocorrerá em abril de 2012.

Estiveram presentes ao debate os ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann, o deputado federal Angelo Vanhoni, o deputado estadual Péricles de Mello, o prefeito de Pinhais, Luizão Goulart e vereadores das cidades de Curitiba, Pinhais e São José dos Pinhais.

O ministro Paulo Bernardo, ao discursar sobre a conjuntura nacional, salientou o desempenho da presidente Dilma, que alcançou aprovação de 72% na última pesquisa, índice recorde para um primeiro ano de mandato. Dilma conseguiu dar continuidade aos principais programas do governo Lula e enfrentou a crise internacional que vem abalando diversos países da Europa, com crescimento econômico e resgate social.

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Eu considero que este primeiro ano em que a presidente Dilma excerceu o governo foi um primeiro ano vitorioso. Nós tivemos em 2010 uma situação quase apoteótica. O presidente Lula saiu como o presidente mais bem avaliado da história deste país, fizemos uma belíssima campanha com uma candidata que dois anos antes era desconhecida, nunca tinha pedido voto e nunca tinha disputado uma eleição. Foi uma excelente candidata e se saiu muito bem. Foi eleita e assumiu para substituir uma pessoa que saiu do governo com 87% de aprovação. É evidente que a presidenta Dilma entrou já com uma sombra. Será que ela vai conseguir fazer como ele? Será que vai ter a mesma sensibilidade para olhar as questões sociais? Será que vai ter a mesma preocupação de fazer crescer e desenvolver o país?

Além disso nós entramos este ano com uma preocupação grande na área econômica. Por um lado, nós entramos com a inflação do crescimento. Isso é um problema enorme. Quando bate a inflação cria um problema para o governo, cria um problema para as empresas e normalmente a conta da inflação vai bater no assalariado que não tem como repassar para ninguém, que continua com o seu salário desvalorizado e vai ter que pagar as contas do supermercado e o aluguel com a inflação. Essa era uma preocupação grande e o governo adotou medidas fortes. Tivemos que contingenciar o orçamento, tivemos que mexer na nossa política fiscal, a política do Banco Central fez uma inflexão para olhar estas questões todas e acho que hoje podemos dizer que fomos vitoriosos nesta questão.

A outra preocupação na área economica, tão grande ou talvez maior do que essa é a questão da crise internacional. Esta crise vem desde 2007, atingiu um ponto muito alto nos Estados Unidos em 2008, nos afetou e causou milhares e milhares de demissões. Eu lembro que de dezembro para janeiro de 2009 nós tivemos quase 650 mil demissões, principalmente na indústria brasileira. O governo na época agiu forte e conseguimos nos recuperar. O ano passado crescemos 7,5%, mas a crise continua lá fora, e neste ano de 2011 ela continua forte, especialmente na Europa. A Europa tem uma moeda única, que é o euro, mas as condições de desenvolvimento nos paises são desiguais. Então os paises da periferia deste continente não estão aguentando os efeitos da crise. Divida altíssima e juros altos.

O Brasil sempre foi considerado campeão em taxas de juros. A Itália está pagando juro igual ao do Brasil sendo que nós devemos 37% do nosso PIB e a Itália deve 120% do PIB! Então você imagine que situação! A Grécia quase quebrou, a Espanha está com desemprego de 22% a 24%. A Itália está com grandes dificuldades e isso pressiona o conjunto da economia européia com um problema para nós também. A Europa, se considerarmos todos os paises, é o maior comprador do Brasil. As nossas exportações, consideradas em conjunto, tem a Europa como maior destino. Essa é uma crise muito difícil de resolver. Do nosso ponto de vista, no Brasil, temos que fazer a mesma política que fizemos em 2008, baixar juros, diminuir as amarras fiscais e liberar crédito para a economia.

Esta crise é o segundo grande desafio e, apesar de todos os problemas lá fora, nós vamos ter um crescimento na ordem de 3,5%. Não vai ser um ano exuberante como o ano passado, mas, nós vamos salvar o ano e com um detalhe: o desemprego não aumentou. Vamos nos manter na faixa de 5,9%, um índice historicamente muito baixo para o Brasil e com ganho salarial para muitas categorias.

Na área política o governo conseguiu aprovar projetos importantes no Congresso. Lançamos o Plano Brasil Sem Miséria. Foram beneficiadas mais de 400 mil famílias que viviam na miséria e que não tinham qualquer assistência por parte do Estado, que sequer eram identificadas, em municípios quase sem estrutura, onde a pessoa não faz cadastro, não consegue receber o Bolsa Família, não consegue ser atendido na rede do SUS, não consegue colocar as crianças na escola, então este programa está fazendo uma busca. Em vez da gente ficar esperando as pessoas procurarem o Estado, o Estado está procurando e identificando as famílias mais necessitadas.

O programa de habitação do governo federal Minha Casa Minha Vida é um sucesso e uma consagração total. Aqui no Paraná nós tinhamos reservado para o estado 44 mil habitações e fechamos o ano com 53 mil habitações sendo construídas.

Paulo Bernardo

1x1.trans encontro com a militância petista   análise de conjuntura para as eleições municipais 2012   curitiba/pr

Um partido como o nosso, ao longo destes últimos 20 anos, foi consolidando a sua relação com o povo e os movimentos sociais em cima de suas teses, em cima de suas idéias. E nós tivemos êxito, nós estamos governando o país. Agora não são só as idéias do PT. As idéias do PT estão dentro das políticas de governo do Brasil!

Devemos olhar o quadro geral e apontar perspectivas de futuro para a cidade de Curitiba com vistas ao governo do Paraná, olhando a Região Metropolitana e o que vai acontecer em 2014. Não estamos em período de construção partidária ou apenas de marcar posição. Se é possivel a gente fazer uma ampla aliança com os partidos da base do governo, eu acho que a gente deve fazer e tentar definir esta eleição já no primeiro turno.

Angelo Vanhoni

1x1.trans encontro com a militância petista   análise de conjuntura para as eleições municipais 2012   curitiba/pr

A gente está comemorando muito este final de ano com a presidenta Dilma. Ela está com 72% de aprovação, fato inédito para um governante em primeiro ano de mandato, e o governo com 56%! O pessoal pergunta aí fora. Como ela conseguiu isso? É muito simples. É por que as pessoas julgam pelo que elas sentem no dia a dia, pelo que elas vem de mudança em sua vida, e a vida do povo brasileiro melhorou. Com toda esta crise internacional nós não tivemos problema de emprego no país. Eu estava agora na prefeitura por conta da Hora da Copa. O governo federal está colocando 181 milhões de reais aqui para fazer obras de mobilidade urbana para a copa do mundo. Eu fui até lá. O prefeito ía assinar a ordem de serviço para fazer as licitações e estava falando que Curitiba tinha diminuido a miséria e a pobreza. O nível de desemprego aqui é menor que 5%! Deve ser 4,2%, ou 4,3%. Falta gente qualificada e preparada para trabalhar. Claro que tem os méritos locais, mas, com certeza, o que faz esta diferença é a gestão da macro economia.

Eu queria dar um depoimento que foi muito emocionante. Há duas semanas atrás nos visitou no Palácio do Planalto a Christine Lagarde, que é responsável pelo Fundo Monetário Internacional. Foi a primeira vez que alguém do Fundo Monetário Internacional visita o Brasil para pedir dinheiro para ajudar os outros países. Isto é histórico! Eu não achei que ia ver isso, porque a gente lembra daquela figura do FMI com a bolsinha vir aqui ditando regras do que a gente tinha que fazer. Nós tinhamos que cortar salários, tinhamos que cortar investimentos, acabar com os Programas e era isso que ia melhorar, e quando nós começamos a fazer o inverso do que o Fundo pregava é que nós melhoramos a situação do país. E a Europa está fazendo exatamente o que o Fundo está dizendo e vai ser muito difícil para os europeus sairem do buraco em que estão. Nós estamos nos dispondo, junto com outros países sul-americanos a ajudar o Fundo Monetário Internacional.

Quando as pessoas colocam que o Brasil está bem, que a presidenta está bem, estão falando disso. Esse vai ser um dos natais que nós vamos ter com o maior índice de compras. As pessoas estão com recursos, nós estamos conseguindo fazer a distribuição de renda. Ontem a ministra Teresa Campello fez um balanço do País Sem Miséria. Nós já conseguimos ultrapassar a meta de inclusão do Bolsa Família com a Busca Ativa. Um país com busca ativa não espera a pessoa que está com dificuldade vir buscar o Estado, ele vai atrás da pessoa. Nós incluímos 407 mil famílias. Isso é muito significativo! Nós vamos cumprir a meta da inclusão total das pessoas que estão na linha da miséria.

Em 2014 o Brasil não vai mais ter população miserável. São muito poucos os países do mundo que tem isso! O mundo está olhando o Brasil de forma diferente. Quando a presidenta vai na ONU fazer um pronunciamento e todo mundo assiste é por isso. Porque há um respeito internacional pelo Brasil! É por isso que a presidenta tem 72 % de aprovação e que o governo tem 56% de aprovação. É um orgulho para nós e um orgulho para o Partido dos Trabalhadores.

Gleisi Hoffmann

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