restauro da igreja de são josé – água branca, são mateus do sul/pr – lançamento do projeto

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Neste sábado, 06/08/2011, estivemos em São Mateus do Sul/PR para o lançamento do projeto de restauração da igreja de São José, na comunidade de Água Branca, um dos principais marcos da colonização polonesa na região. Além da presença de diversos membros da comunidade, o deputado Angelo Vanhoni foi recebido pelo prefeito da cidade, Luiz Adyr Gonçalves Pereira, pelo padre Ermildo Krasovski e pelo presidente da irmandade São José, Joelson Falkoski.

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O início das obras depende da aprovação da complementação de recursos dentro do projeto cultural do Instituto Arquibrasil, responsável pelo restauro, que conta com o apoio da Petrobrás através da Lei Rouanet. Após o término do diagnóstico da estrutura do edifício e detalhamento da planilha orçamentária, cuja finalização está prevista para dezembro, o projeto será analisado pela equipe técnica do IPHAN e reencaminhado ao Pronac. Essa tramitação pode levar de dois a três meses e a estimativa é de que vencidas estas etapas, incluindo a captação de recursos, a restauração possa ser concluída no prazo de um ano.

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Há pouco mais de três anos tive a oportunidade de conhecer melhor a região de São Mateus do Sul, que se destaca economicamente no cenário nacional pela sua produção industrial, e perceber a importância da cidade no processo migratório polonês, que integra a alma profunda do povo brasileiro e tem uma influência ainda mais expressiva na formação cultural do Paraná, o estado que recebeu o maior número de imigrantes poloneses em nosso país.

Com o objetivo de valorizar o legado das tradições culturais do Paraná e percebendo que os marcos arquitetônicos e turísticos da imigração eslava eram praticamente desconhecidos no resto do Brasil, em 2009 convidei o ministro da Cultura e o presidente do IPHAN para visitarem o interior do estado e conhecerem de perto estas comunidades. Estivemos naquela ocasião em Mallet, Prudentóplis e Irati.

De lá para cá estamos fazendo um trabalho conjunto com o Ministério da Cultura para restaurar alguns destes edifícios. Assim aconteceu com as igrejas da Imaculada Conceição, em Antônio Olinto e a de São Miguel Arcanjo, em Mallet. Agora estamos trazendo a mesma perspectiva para São Mateus do Sul, neste projeto que em sua fase inicial conta com o apoio da Petrobrás através da Lei Rouanet.

A restauração da igreja de São José, em Água Branca, é motivo de orgulho não só para a cidade de São Mateus, mas para todo o Brasil, para as diversas tradições e culturas que compõe a nossa identidade, no sentido de que elas, todas, possam se beneficiar de políticas públicas e iniciativas que visem a preservação de sua memória.
Angelo Vanhoni

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Segundo a arquiteta Jussara Valentini, do Instituto Arquibrasil (ao centro na imagem acima), quando foi criado em 1935 o IPHAN tinha como foco prioritário o patrimônio histórico nacional mais antigo, como a arquitetura luso brasileira, as casas grandes e as senzalas, e só recentemente houve uma valorização maior da diversidade cultural do país, da presença dos imigrantes e, no caso do Paraná, da cultura eslava.

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A Igreja de São José, em Água Branca, é um dos maiores legados deixados pelos imigrantes poloneses a partir dos anos de 1890 e 1892. Projetada em forma de cruz e concluída no ano de 1900, toda a madeira utilizada na construção foi serrada e sepilhada manualmente. Nas laterais existem 4 altares, todos trabalhados em madeira. Por sobre o altar principal, vê-se uma inscrição em polonês: “Wr. 1900 Jezus Chrystus, Bóg-Czlowiek zyje, króluje, panuje”. Traduzindo: “Desde o ano de 1900 Jesus Cristo, Deus-Homem vive, reina, impera”. A pintura interna foi feita em 1923 por Ewaldo Ducat, de Irati. Os quadros da via sacra e dos santos vieram da Polônia e da Bélgica. Localiza-se na Colônia de Água Branca, distante da sede do município aproximadamente 14 km.

Os primeiros imigrantes poloneses passaram por dificuldades quando chegaram ao Brasil. Vieram em grande parte contratados pelas autoridades do império, que prometiam alguns benefícios, mas, com o advento da república eles ficaram abandonados à propria sorte. As primeiras levas desembarcaram em 1841, no Espírito Santo, e este processo se estendeu por mais de um século. Estima-se que aproximadamente 600.000 poloneses tenham vindo para o Brasil; 60% dos quais estabeleceram-se no Paraná. Fundaram as cidades de Mallet, Castro, Ponta Grossa, Cruz Machado, São Mateus do Sul, Irati, Apucarana e União da Vitória, entre outras. Muitos descendentes falam o idioma polonês como língua materna. Curitiba é a segunda cidade fora da Polônia com o maior número de habitantes de origem polonesa.

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Fotografia: Gilson Camargo


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