conferência municipal de educação de curitiba 2015

DSC_3805O relator do PNE, Angelo Vanhoni; a secretária municipal de Educação de Curitiba, Roberlayne Borges Roballo; e Maria Aparecida da Silva, vice presidente do Conselho Municipal de Educação, durante palestra de abertura do evento.
“Bom dia a todas as professoras e professores. Bom dia a todos os profissionais de educação e aos pais aqui presentes.
Desde que nós aprovamos o Plano Nacional de Educação e a presidente o sancionou, ficou evidente a necessidade de que nós aprofundassemos no corpo da lei o funcionamento sistêmico da educação nacional. Durante muitos anos o Brasil tratou a educação de maneira fragmentada, segmentada. Então, como prevê a constituição, os municípios são responsáveis pela educação infantil e ensino fundamental, os estados são responsáveis pelo ensino médio e a União responsável pelo ensino superior. São estas as principais atribuições dos entes da federação no campo da educação.
Mas, há um movimento no Brasil nesses últimos 10, 15 anos, suprapartidário, no sentido de mudar o papel do Estado em relação à educação. Isto é, olhar a educação não somente sob o viés do município, do estado ou da União, que parecem ser tão distantes. O Brasil enquanto Estado, independentemente de ser cidade ou unidade da federação, tem que se preocupar em elaborar programas de forma sistêmica para garantir uma educação de qualidade para todas as crianças, desde 0 a 3 anos até o término da sua idade escolar, que a princípio seria aos 24 anos de idade, quando o jovem completa o ensino de nível superior no nosso país.
Então, um conjunto de coisas foram acontecendo neste período. Primeiramente foi aprovado o Fundeb, que é um fundo que transcende os estados, os municípios e a União porque ele se preocupa com a educação infantil, a educação especial e o desenvolvimento do ensino médio, e o Governo Federal tem a obrigatoriedade de colocar 10% do valor deste fundo, que até 2013 estava na ordem de 95 bilhões de reais, com a União aplicando perto de 10 bilhões de reais como verba suplementar para todos os municípios e estados do Brasil.”
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“Nós avançamos muito a partir de quando o Ministério da Educação percebeu isso e instituiu o Plano de Ações Articuladas (PAR), que todos os professores e secretários aqui conhecem, em que o Governo Federal deixou de aplicar dinheiro apenas nas universidades. O dinheiro do MEC há 15 anos atrás era composto de 20 bilhões de reais, sendo que 80% desse dinheiro ía para as universidades federais do Brasil e 20% era espalhado para socorrer o ensino básico em nosso país. Passados 15 anos a soma de recursos quintuplicou. Hoje nós temos aí 110 bilhões de reais e 53% desse dinheiro é repassado para os estados e municípios. Então, a União começou a se preocupar com o desenvolvimento da educação em nível infantil, em nível do ensino fundamental.
E vejam que melhorou bastante, porque há 10, 15 anos atrás não tinha ninguém no MEC responsável exclusivamente pela educação infantil. A população sofria porque as pessoas da classe trabalhadora, que é 90% do povo do nosso pais, não tinham espaço público para colocar as suas crianças de 0 a 3 anos. Quem tinha isso eram os filhos da classe média, que já tinha descoberto como a escola pública nos países desenvolvidos estava organizada e entendido que o desenvolvimento do ser humano começa, do ponto de visto educativo já a partir de 0 a 3 anos, e que de 4 a 5 anos ele deve ser olhado do ponto de vista pedagógico. E não como era no Brasil de até 15 anos atrás, formado sob o ponto de vista da assistência social, em que nós precisávamos de creche apenas para as mães deixarem as crianças em um local seguro para ir trabalhar. Nós precisamos de locais de acolhimento seguros, mas sob a ótica da educação, porque a criança nesta idade tem um enorme potencial de desenvolvimento das suas capacidades cognitivas, das suas múltiplas linguagens, que vai ter uma importância fundamental depois quando ela entrar no ensino fundamental e no processo de alfabetização.
O MEC fez uma pesquisa que orientou nosso trabalho na elaboração do Plano Nacional de Educação com crianças que entraram na creche e tiveram assistência de 0 a 3 anos e com crianças que não entraram na escolinha de educação infantil, traçando qual era o perfil de desenvolvimento delas a partir do ensino fundamental. Pergunto a vocês, pais, professores e profissionais: quem vocês acham que se alfabetizou e se desenvolveu com mais celeridade? É evidente que foram as crianças que tiveram acolhimento e proposta educativa de 0 a 3 e de 4 a 5 anos.”
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“Esta percepção de que é um direito do ser humano ter um espaço educativo já a partir dessa idade nós começamos a avançar somente a partir de 2009, quando nós mudamos a Constituição e colocamos uma obrigatoriedade, com meta de que até 2016 todas as crianças a partir dos 4 anos de idade tenham educação obrigatória no Brasil. A obrigatoriedade constitucional era de 6 a 14 anos, e nós a estendemos, baixando para 4 e ampliando até os 17 anos, incluindo o ensino médio também nesta obrigatoriedade, porque tem muita evasão no ensino médio, tem graves problemas no ensino médio, então nós tratamos de garantir isso na Constituição, para que o Estado brasileiro seja obrigado a dar uma educação de qualidade também para os jovens de 15 a 17 anos.
A educação deve ser olhada como um todo, e o plano municipal deve olhar também a questão do ensino médio, deve olhar também a oferta de ensino superior público na cidade de Curitiba, e deve olhar também a educação do ponto de vista da cultura. Mas o ensino infantil e o ensino fundamental são a base para a gente realizar grandes mudanças na educação do nosso país.
Até há 15 anos atrás, além da carência de vagas, as prefeituras não tinham nenhuma preocupação pedagógica maior consolidada em relação à educação infantil. Nós encontrávamos as melhores experiências pedagógicas de prática de ensino infantil aqui na nossa cidade – como de resto nas maiores cidades do Brasil – sobretudo para os filhos da classe média. Então, as escolas particulares tinham lá uma sofisticada preparação, tanto do ponto de vista da formação dos professores, quanto do ambiente em que as crianças estavam vivendo e das práticas pedagógicas.”
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“Hoje já se avançou bastante, a esfera pública já se apropriou de uma porção dessas conquistas, mas era limitado, muito limitado. A maioria dos filhos dos trabalhadores ainda dependia de creche, e ainda se precisava trabalhar muito do ponto de vista da formação dos professores para que a educação de todas as crianças da cidade de Curitiba pudesse ter um padrão sofisticado do ponto de vista das teorias de aprendizagem, enriquecidos pela nossa experiência cotidiana de curitibanos, com nossas particularidades culturais.
Na Universidade Federal do Paraná, há vinte anos atrás tinha pouquíssima gente com alguma especialização sobre educação infantil. Vejam, a maior universidade, uma das mais antigas do Brasil, a maior do Paraná, tinha apenas uma professora estudando exclusivamente a educação infantil.
Na Europa a educação de 4 a 5 anos já está universalizada. Eu tive a oportunidade de conhecer, na época em que eu era deputado estadual, dois estados da Italia: Emilia Romagna e Toscana. E fui conhecer quatro escolas de educação infantil. As escolas são parecidas com as nossas, mas estão mais consolidadas, a estrutura delas é melhor, pois eles estão investindo há mais de 50 anos em educação infantil, e nós estamos começando agora. Há um abismo muito grande entre nós entendermos o que é direito para as crianças do ponto de vista da formação e o que os europeus já conquistaram.”
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“A estrutura da escola é um pouco diferente. Sempre tem um espaço para o desenvolvimento da cultura, da musica, da dança, da arte, do teatro, do estímulo a leitura. Toda semana tem uma ou duas atividades de estímulo a leitura para as crianças, com estorinhas, com teatrinho dentro da escola. Em cada escola tem uma cozinha, a merenda escolar é feita pelas próprias professoras e pelas crianças, pelos alunos que ajudam a cortar os alimentos, etc… e tem um espaço externo para uma horta, onde geralmente são plantados os legumes e as hortaliças que são utilizadas nas merendas das crianças.
Mas o que mais me saltou aos olhos é o prestigio que a sociedade italiana dá para a estrutura da educação do ponto de vista da valorização do magistério. As professoras da educação infantil todas com nível superior, 80% delas com pós graduação e mais da metade com doutorado. E é importante que se diga, o que ganha uma professora com doutorado dando aula na educação infantil de uma cidade de 50 mil habitantes não é tão diferente do que ganha um professor doutor dando aula em uma universidade na Italia.
A educação infantil tem um status na sociedade italiana, e na Europa de maneira geral, que no Brasil não tem. Nós ainda tratamos a educação infantil como se fosse apenas “cuidar de crianças”. Para nós é como se educação de verdade fosse só um professor de ensino superior em frente a um quadro negro com giz, e as pessoas se preparando para o mundo do trabalho tão somente. Quem tem prestígio na sociedade brasileira é a educação de nível superior, porque nós destratamos o ensino médio, nós não damos a ele a devida atenção, 50% dos jovens abandonam o ensino médio brasileiro!”
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“Vai ali para o Boqueirão, vai ali no Sítio Cercado. Vejam a juventude com 17, 18 anos de idade. Ela está pronta. Está querendo viver a vida. Não quer mais ficar sob a égide do pai, da mãe ou da família. Ele ama, ele está namorando, ele pensa em casar, ele pensa em ter casa, ele pensa em ter uma profissão, ele quer dar conta da sua vida, porque é assim que acontece nessa idade. E ele não tem perspectiva nenhuma, porque a educação do ensino médio não prepara ele nem para a vida e nem para o mundo do trabalho.
Na Alemanha, que é o país mais desenvolvido da Europa, 70% da juventude nessa idade sai de uma boa escola profissionalizante de ensino integral, onde ele tem internet, tem cinema, tem teatro, tem música, tem um ambiente cultural que diz respeito à vida da juventude, mas ele sai com uma profissão e se quiser ganhar a vida como técnico a sociedade o prestigia tanto quanto a um profissional de nível superior. Já no Brasil o ensino técnico ainda é visto como sendo de menor qualidade.
O Brasil tem 11 milhões de crianças de 0 a 3 anos fora da escola. Hoje nós temos apenas 2 milhões de matriculados e nós queremos incluir essas crianças, pelo menos 5,4 milhões nos próximos 10 anos, dentre as quais tem um percentual que é daqui da nossa cidade. E nós calculamos no PNE os custos para atendimento às crianças de 0 a 3 anos não em cima do salário de atendente e auxiliar, mas com salário de professor, de um profissional de magistério, porque nós entendemos que essas crianças merecem cuidados especiais, com especialização dos professores, e deve ter um ponto de vista pedagógico. Pelo menos pela ótica pública nós temos que defender isso e lutar para que isso aconteça.”
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“Vocês sabem que a nossa realidade é díspar e é muito difícil. Há 10 anos atrás o Rio de Janeiro, um dos estados mais ricos do Brasil não pagava o piso. Mas, não o piso dos professores, não pagava o salário mínimo nacional para metade do magistério do Rio de Janeiro!
Nós estamos mudando o nosso país de diversas formas, dentre elas quando a gente aprovou a Lei do Piso Nacional dos Professores. Para garantir pelo menos o instrumento jurídico para que cada sindicato, cada setor da sociedade, cada unidade da federação possa fazer a luta para que os professores tenham um padrão de vencimento e para que a gente possa recuperar o prestígio da educação nesse país. E nós só vamos fazer isso se nos próximos anos nós conseguirmos traduzir esse prestígio e essa valorização nas condições de salário dos professores.
Para que a gente possa olhar para os jovens que estão fazendo vestibular ou o ENEM agora ou daqui há 10 anos, e que tem talento na matemática, na quimica, na física, na geografia, que gostam das crianças, que se preocupam com educação e dizer o seguinte: puxa, tem 25% dos que estão fazendo vestibular que querem ser professores. E sabem por que? Porque hoje não tem nem 2%. O garoto que gosta de quimica, de física, de matemática, prefere fazer um vestibular de engenharia, qualquer curso de exatas, ou até mesmo trabalhar em um banco, que é um trabalho, repetitivo, maçante, desculpe a expressão, mas que ganha mais no piso do que os professores. Então, se o Brasil quer mudar de verdade só há um caminho a seguir, e neste plano, esta lei que nós aprovamos aponta para este caminho. É um caminho de mais educação e mais futuro para o nosso povo. Este é o caminho que a gente tem que trilhar para distribuir mais valores para a sociedade brasileira.”
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“O plano municipal que vocês estão discutindo e elaborando tem que atender as demandas do município, mas ele deve ir além. Do ponto de vista da educação ele tem que se preocupar com as questões que dizem respeito à formação do povo curitibano como um todo. O plano municipal deve ser uma alavanca jurídica que impulsione a Prefeitura, a gestão da capital a ser sempre protagonista das reivindicações sobre a educação com o estado e com a União. A gestão pública da capital tem que ser a guardiã das necessidades da educação. Ela tem que, de alguma forma apontar no plano para a busca dessa realização.
Para concluir, o que é que nós queremos com uma criança de 0 a 3, e de 4 a 5 anos na escolinha? Pra que isso tudo? Primeiro porque nós ocidentais temos a convicção de que através da cultura e do conhecimento a gente se realiza do ponto de vista espiritual e a gente cria a condição fundamental para se realizar do ponto de vista material. O cidadão ganha capacidade para exercer uma profissão, para se colocar na vida com autonomia, não depender do pai, não depender da mãe, não depender do Estado, passa a ter segurança interior. E nós queremos que no Brasil inteiro seja assim.
Além disso, a educação tem que ser de qualidade. O professor do interior do Maranhão tem que ganhar a mesma coisa que o professor de Curitiba, de Porto Alegre, de São Paulo. A escola tem que ter a mesma estrutura de biblioteca, de atendimento às crianças. Nós queremos um padrão nacional de educação. Pode ter dinheiro para isso? Pode. Por isso nós aprovamos os 10% do PIB para a educação.”
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“Por isso nós aprovamos uma lei no Congresso Nacional que a gente tem que cuidar pra não mudarem, que é a Lei do Pré-sal. Nós descobrimos uma reserva de petróleo que outros povos não descobriram nos últimos 20 anos, que está embaixo do mar e já está sendo explorada. Nós produzimos hoje 2 milhões de barris de petróleo por dia e daqui há 15 anos nós vamos estar produzindo 5,5 milhões de barris por dia. Em 15 anos nós vamos mais que dobrar a produção de petróleo.
E saibam que até ontem os royalties do petróleo íam para o governo e o governo fazia o que queria com esse dinheiro. Se quisesse fazer rua, fazia rua, se quisesse fazer ponte fazia ponte. Agora a Presidência da República não vai mais poder fazer o que quiser com esse dinheiro, porque nós destinamos 75% dos royalties do petróleo para a Educação e 25% para a Saúde. Tem um preceito constitucional garantindo este dinheiro para a Educação. E pode vir perto de 250 bilhões de reais nos próximos 15 anos para a Educação em todo o território nacional.
Isso significa que se Curitiba não tiver o dinheiro no orçamento através da arrecadação do IPTU, do ISS, da transferência do ICMS e das outras taxas, se Curitiba não tiver dinheiro para garantir o padrão mínimo que a gente está estabelecendo aqui neste plano, com metas de educação integral, valorização do magistério, se Curitiba com toda a sua riqueza não tiver o recurso suficiente pra atingir estas metas, a União vai ter que suprir a cidade de Curitiba, assim como outras, através deste fundo criado pela Lei do Pré-sal.”
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“Então, nós sabemos onde queremos chegar, nós agora temos um instrumento jurídico com estratégias de pensamento de como fazer essa caminhada e nós temos a possibilidade de ter os recursos para realizar esta bela caminhada do conhecimento para todos os homens e mulheres em idade escolar no nosso país nos próximos 10 anos. Por isso vocês estão de parabéns!
Eu vim ontem de uma reunião como essa em União da Vitória com 700 professores da região. Na segunda feira estivemos em Cornélio Procópio e região com 750 professores. As assembleias municipais estão sendo assim no Paraná inteiro. Os professores municipais e estaduais estão se reunindo e discutindo os planos. Porque daqui há 6 meses a transferência de recursos de verbas voluntárias do Governo Federal vai ser calculada em cima destas projeções.
Curitiba fez o plano? Qual é a estratégia? Qual é o projeto de desenvolvimento? Como a cidade se propõe a resolver as dificuldades das crianças nos próximos 10 anos? Vai precisar construir mais 10 escolas ou mais 50 escolas? Terão prioridade as cidades que apresentaram o seu diagnóstico e o seu projeto para que o Ministério da Educação possa se programar em relação aos recursos para se implementar o que foi proposto.”
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“Daqui há 4 anos eu quero voltar aqui para a gente fazer um balanço da metade de vigência deste plano. Para a gente saber o que nós conseguimos mudar do ponto de vista da educação integral, da proposta pedagógica, da aprendizagem das crianças, da valorização do magistério. Estamos crescendo ou não estamos crescendo?
Vocês todos sabem como está a valorização do magistério hoje. Nós fizemos um estudo com a CNTE pesquisando quanto ganha um arquiteto, um médico, um dentista, de salário inicial no Brasil inteiro. Em valores atuais o salário médio de um profissional com nível superior é próximo de 4 mil reais. Então, o salário médio de ingresso dos profissionais de educação tem que ser equivalente, equiparado ao dos outros profissionais com nível superior.
Eu acho que estamos dando um passo importante para valorizar a educação no Brasil, para que os jovens desejem ser professores da escola pública em Curitiba, no Paraná, no Maranhão, no Piauí. E assim a gente vai mudar o nosso país. Com educação, conhecimento e cultura. Muito obrigado.”
DSC_3757Durante a abertura dos trabalhos da conferência, representantes das entidades de classe, pais e professores apresentaram reivindicações contra o PL da terceirização (4330/2004), em favor do cumprimento da hora atividade, e exigindo a abertura imediata de concursos públicos para contratação de profissionais de educação.
Fotografia e editoração: Gilson Camargo

construindo os planos municipais de educação – visita a união da vitória/pr

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A Secretaria Municipal de Educação de União da Vitória apresentou, no Cine Ópera, na sexta-feira (15/05), a proposta para o Plano Municipal de Educação elaborado ao longo do ano de 2014 e 2015, atendendo ao requisito proposto no Plano Nacional de Educação (PNE). A atividade contou com a presença do relator do PNE na Câmara Federal, Angelo Vanhoni, de autoridades locais, regionais, sindicatos e representantes de classe, além dos professores e servidores do município.
Para um auditório lotado, o prefeito Pedro Ivo Ilkiv relatou as ações desenvolvidas e salientou a importância da educação, bem como o reconhecimento e a valorização profissional. “É área prioritária em nossa gestão. Estamos investindo em novas escolas, contratando profissionais e trabalhando para dar aos professores todas as condições necessárias para que desenvolvam suas aulas com qualidade”.

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Em sua palestra Vanhoni apresentou dados sobre a educação no país. Os números demonstram a necessidade de investimentos, tanto em infraestrutura quanto na valorização profissional. “Fizemos uma lei que estabelece o piso nacional no Brasil, temos condições de matricular todas as crianças no ensino fundamental, mas falta encontrarmos soluções efetivas quanto à educação infantil, até 5 anos”.
Leia abaixo as perguntas realizadas pelos participantes durante o encontro.
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Bom dia Vanhoni, é sempre muito bom te ouvir. Represento a Secretaria Municipal de São Mateus do Sul e acredito que a grande preocupação, tanto minha quanto da grande maioria dos professores e secretários que aqui estão é em relação à escola em tempo integral.
No nosso município nós colocamos a porcentagem de 50% das escolas em tempo integral até o final do plano, conforme sugere o plano nacional. Nós temos em nossa cidade, assim como acontece em grande parte da região, escolas em dualidade com o Estado, é uma situação bem complicada – porque graças a deus nós temos um grande número de crianças jovens nas escolas – e a grande preocupação é essa: será que teremos nesses 10 anos um investimento grande o suficiente do Governo Federal para que nós possamos ampliar as estruturas físicas das nossas escolas e, principalmente, para a construção de novas escolas?
Eu também me preocupo com o plano estadual, porque no plano estadual foi colocado 65% das escolas em tempo integral, então será que nós vamos ter como realizar? Porque 10 anos passam rápido né… pela burocracia que é, enfim… principalmente a questão da construção, o volume de verbas do Governo Federal, embora vindo, ainda assim é muito inferior ao que realmente nós necessitamos. É isso. Obrigada.

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Bom dia. Falar sobre a importância dos professores e o atendimento às crianças é muito importante, mas, aqui nós temos vários auxiliares de educação, zeladores, cozinheiras, inclusive eu sou zeladora de uma escola municipal. Então, eu gostaria de saber sua opinião também sobre a valorização do profissional auxiliar da educação.

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Bom dia. Além de ser professora da rede municipal eu trabalho na UNESPAR, na comissão do vestibular. Todos os nossos cursos são de licenciatura, a grande maioria dos professores aqui presentes devem ser formados pela antiga FAFIUV, hoje UNESPAR, e quando a gente sai para divulgar o vestibular é bastante triste. Aquilo que o senhor falou a respeito da falta de interesse dos alunos do ensino médio nos cursos de licenciatura a gente confirma aqui no dia a dia da divulgação.
Quando você chega numa sala do ensino médio e diz que todos os nossos cursos são de licenciatura o aluno já abaixa a cabeça, dois ou três no máximo numa turma é que demonstram interesse. E depois, lá no corredor, vem alguém de cabeça baixa dizer assim: “olha eu tenho interesse num curso de licenciatura”, porque ele tem até vergonha de falar isso na frente dos outros alunos.
Então, a minha não é uma pergunta, é só uma colocação a respeito do seu comentário, pra dizer que isso acontece muito aqui na nossa cidade.

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Essa fala da professora é bem interessante porque eu sou uma das professoras formadas pela FAFIUV e, infelizmente, historicamente a FAFIUV não tem o hábito de formar protagonistas, pelo excesso de conservadorismo no seu ensino. Então, quando você sai de lá você não sabe de nada, você vai pra escola e aí você toma contato com a realidade do que é a escola.
Agora tem os PIBIDs (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência) que trabalham nas escolas, mas na minha época, quando eu me formei em 1987, você saía de lá sabendo como dar aula, como ensinar Língua Portuguesa, que é o meu caso, mas não aprendia nada sobre o papel político do professor, porque o professor tem um papel de protagonista, de ensinar a tomar atitudes, e isso não é ensinado na faculdade, é ensinado também pelas leituras que você faz, pelos ambientes que você frequenta.
Então, não é uma responsabilidade só da faculdade, mas eu acho que existe uma coisa muito grande a ser conquistada nas licenciaturas, que é uma mudança na forma de ensinar. Muito obrigada.

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Bom dia. Minha pergunta é com relação a leitura, porque eu também sou uma apaixonada pela leitura e quero me posicionar com relação à biblioteca. A nossa biblioteca aqui da cidade é frustrante! Então, eu gostaria saber se há investimento, se tem possibilidade de se fornecer isso também. Como a Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, que é um referencial, se aqui também haveria a possibilidade de trazer recursos para melhorar a nossa biblioteca.

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“Nesta cartilha estão as 20 metas do Plano Nacional de Educação. Na parte verde temos a situação do Paraná e as metas que propusemos em proporção às do PNE, nesta parte mais clara está a situação atual e na parte mais escura está a meta de quanto que a gente quer chegar – link para sugestão para o Plano Estadual de Educação do Paraná.
O Paraná tem 564 mil crianças e só tem 160 mil frequentando uma escolinha. São mais de 300 mil crianças de 0 a 3 anos que vão ficar de fora da escola, sem educação infantil. E são estas as crianças que vão ter mais dificuldade para se alfabetizar, que vão se alfabetizar aos 9, aos 10 anos. Nós queremos pelo menos 50% dessas crianças na escola até 2024. É um desafio para nós, não é fácil realizar isso. Envolve estrutura, programa e formação de profissionais dentro de uma perspectiva educacional. Mas, o dinheiro para construir escolas não é o maior problema, representa 9% do custo da educação. O grande problema está em a gente garantir o dinheiro para ter professor qualificado, auxiliar com formação para cuidar das crianças na educação infantil, na educação especial.
Sobre a questão dos auxiliares, o plano nacional prevê que seja descrito nos planos municipais o plano de carreira para os profissionais de educação. Há um capítulo com estratégias para isso, inclusive incentivando a titulação e a formação continuada. O que estamos garantindo para o professor no magistério nós desdobramos também para o profissional da educação, e isso deve ser tema debatido também nos planos municipais.
Quanto ao estímulo para a licenciatura, isso passa por duas questões: uma é a valorização do magistério. Experimente pagar um salário inicial de 4 mil reais para os professores e você vai ver se um grande número de jovens que estão hoje no ensino médio não vai querer ser professor. Ele vai pensar, poxa, eu sou bom em matemática, eu gosto de fazer contas, eu vou fazer uma licenciatura e vou ser professor. Porque é uma profissão nobre, eu posso me realizar e posso garantir minha existência. Façamos isso pra gente ver se não muda! E o outro ponto é a formação nas universidades; os professores muitas vezes saem das universidades sem o mínimo de didática, sem condições de compreender a realidade da escola e o universo cultural dos alunos. Não tem diálogo. Então, na base curricular das universidades tem que haver uma mudança muito grande, para que os novos professores tenham uma melhor e mais completa formação.
Por fim, uma boa iniciativa nesta questão do livro é criar oficinas de incentivo a leitura nas empresas, nas fábricas e em outros locais de trabalho – e o MEC tem programas para isso. Esta ideia complementa a questão das bibliotecas porque leva o interesse pelo livro para os locais onde as pessoas estão vivendo, e a biblioteca fica sendo a retaguarda do acervo. Assim você cria uma corrente de leitores que naturalmente exigirá melhores condições de estrutura e circulação.
Dito isso eu deixo a vocês um abraço. Parabéns pelo encontro que vocês estão realizando. A gente está aqui para ajudar.”
Fonte: http://uniaodavitoria.pr.gov.br/noticias/uniao-da-vitoria-apresenta-plano-municipal-da-educacao-para-sociedade/
Fotos: Gilson Camargo

professores do paraná continuam na luta

DSC_1946Manifestação em Curitiba mobilizou mais de 20 mil pessoas e pediu justiça quanto ao massacre do dia 29 de abril.
Na manhã de hoje (05/05), o Brasil viu a força e a proporção que a greve dos educadores no Paraná tomou. O Ato Nacional organizado pela APP-Sindicato que saiu da Praça 19 de Dezembro e seguiu em marcha até o Centro Cívico de Curitiba, reuniu mais de 20 mil pessoas.
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O ato foi realizado em repúdio à violência com a qual o governo do estado tratou os(as) educadores(as), que no dia 29 de abril tentavam participar da sessão da Assembleia Legislativa do Paraná. Naquele dia estava em votação o PL 252/2015 que propõe o confisco da poupança previdenciária do funcionalismo estadual, através de mudanças na Parana Previdência, e que foi aprovado por 31 votos a 20.
4aParticiparam do ato várias categorias de servidores do Paraná e de outros estados, centrais sindicais e movimentos sociais.
Um momento marcante foi quando representantes do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sindute-MG) leram uma carta de apoio aos trabalhadores da educação do Paraná. Na carta eles relembram os 112 dias de greve dos educadores mineiros em que também sentiram na pele a truculência da PM e a importância daquele movimento para a unidade do movimento no Estado. Ainda  motivaram para que aqui, no Paraná, os servidores sigam fortes: “Vocês, tem a educação como trabalho, sem dúvida muito aprenderam e muito ensinaram naquele dia. A vida é assim mesmo: quando se ensina também se aprende; quando caímos é que podemos nos levantar”.

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Votação do PL 252/2015

Votos favoráveis ao PL do governo

Alexandre Curi (PMDB)

Alexandre Guimarães (PSC)

André Bueno (PDT)

Artagão Jr. (PMDB)

Bernardo Ribas Carli (PSDB)

Claudia Pereira (PSC)

Cobra Repórter (PSC)

Cristina Silvestri (PPS)

Dr. Batista (PMN)

Elio Rusch (DEM)

Evandro Jr. (PSDB)

Felipe Francischini (SD)

Fernando Scanavaca (PDT)

Francisco Bührer (PSDB)

Guto Silva (PSC)

Hussein Bakri (PSC)

Jonas Guimarães (PMDB)

Luiz Carlos Martins (PSD)

Luiz Claudio Romanelli (PMDB)

Marcio Nunes (PSC)

Maria Victoria (PP)

Mauro Moraes (PSDB)

Missionário Ricardo Arruda (PSC)

Nelson Justus (DEM)

Paulo Litro (PSDB)

Pedro Lupion (DEM)

Plauto Miró (DEM)

Votos contrários ao PL do governo

Adelino Ribeiro (PSL)

Ademir Bier (PMDB)

Anibelli Neto (PMDB)

Chico Brasileiro (PSD)

Evandro Araújo (PSC)

Gilberto Ribeiro (PSB)

Gilson de Souza (PSC)

Marcio Pacheco (PPL)

Marcio Pauliki (PDT)

Nelson Luersen (PDT)

Nereu Moura (PMDB)

Ney Leprevost (PSD)

Palozi (PSC)

Pastor Edson Praczyk (PRB)

Péricles de Mello (PT)

Professor Lemos (PT)

Rasca Rodrigues (PV)

Requião Filho (PMDB)

Tadeu Veneri (PT)

Tercílio Turini (PPS)

Não votaram

Cantora Mara Lima (PSDB)

Paranhos (PSC)

Ademar Traiano (PSDB) – como presidente, só vota em caso de empate

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Já na Praça Nossa Senhora da Salete, foi realizada uma mística, em que educadores(as) colocaram rosas brancas nas grades da Alep pedindo mais respeito e menos violência. Também tingiram de tinta vermelha as águas do chafariz em frente ao Palácio Iguaçu e entoaram, em um só coro, o hino nacional.
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Após a caminhada realizada pela manhã, mais de 10 mil professores e funcionários de escolas participaram da assembleia geral da categoria, no Estádio Durival Britto, a Vila Capanema, em Curitiba. Foram apresentadas as análises das conjunturas nacional e estadual e, em seguida, a maioria presente decidiu pela continuação da greve por tempo indeterminado. A indignação tomava conta dos presentes, especialmente em vista da aprovação do projeto de lei 252/2015 e dos massacres do último dia 29.

O relator do Plano Nacional de Educação, Angelo Vanhoni também esteve na Vila Capanema. Em sua fala, o ex-parlamentar parabenizou a categoria pelo exemplo dado ao país. “O povo quando se une é maior do que qualquer violência. E esta foi a aula dada por vocês para todo o Brasil”.

Fonte: http://www.appsindicato.org.br/Include/Paginas/noticia.aspx?id=11310
Fotos: Gilson Camargo

29/04/2015 – o paraná em luto

Os fatos ocorridos contra os servidores públicos e professores no dia de ontem (29/04/2015) não deixaram apenas os curitibanos e os paranaenses escandalizados, mas, o mundo inteiro assistiu perplexo a estas imagens de selvageria. É preciso repensar os problemas da vida social, é preciso repensar as práticas políticas, isso não pode mais voltar a acontecer. Estamos ultrapassando todos os limites da imaginação, e o pior, da imaginação perversa.
É lamentável que o governador se sinta tranquilo em assistir as cenas que ele proporcionou e que mostra como os professores foram tratados. Este governador precisa entender que é justo que todo o funcionalismo público e todo cidadão tenha receio e dúvidas a respeito do projeto que estava sendo votado.
Os professores tinham todo o direito de protestar, os professores tinham toda a razão em se manifestar por uma causa que é justa, que é legítima, que diz respeito ao medo de que suas aposentadorias não sejam garantidas – afinal de contas esse é um direito constitucional praticado no nosso país – e estavam protestando não apenas em nome da educação, mas em nome de todo o serviço público prestado pelo Estado ao povo paranaense.
O governador não poderia ter agido da forma como agiu e premeditou a ação, pois tres dias antes da votação a Assembleia Legislativa já estava cercada, com mais de mil policiais e o Batalhão de Choque armados em frente a sua sede, no Centro Cívico. Assembleia esta que deveria ser um espaço de acolhimento, de recebimento do contraditório, de discussão a respeito dos problemas e da vida do nosso estado.
Infelizmente nós estamos tendo que aperfeiçoar a democracia através da dura luta e da mobilização do nosso povo.
Angelo Vanhoni

Leia mais sobre o massacre contra os servidores e manifestantes no Centro Cívico, em Curitiba/PR, em 29/04/15.
http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/base-governista-ignora-batalha-campal-e-aprova-lei-da-previdencia-d15cdzrbokqzkzwm16mya59rw
http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,confronto-entre-pm-e-professores-no-pr-deixa-cerca-de-200-feridos,1678429
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2015/04/30/anistia-diz-que-richa-e-pm-precisam-se-responsabilizar-por-repressao-no-pr.htm
http://oglobo.globo.com/brasil/manifestacao-de-professores-em-curitiba-tem-confronto-com-pm-bombas-agressao-16013020
http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/v/protesto-de-professores-em-curitiba-termina-em-tumulto/4145321/
http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/violencia-da-pm-deixa-mais-de-cem-feridos-no-parana-6622.html
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/29/politica/1430337175_476628.html
http://www.nytimes.com/aponline/2015/04/29/world/americas/ap-lt-brazil-teachers-violence.html

construindo os planos municipais de educação – visita a guarapuava/pr

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O relator do Plano Nacional de Educação (PNE), Angelo Vanhoni, esteve na Unicentro, em Guarapuava/PR, no dia 10/04, participando dos eventos “Guarapuava Construindo o Plano Municipal de Educação”, realizado pela Secretaria Municipal de Educação, com a presença de profissionais de educação de todos os níveis e segmentos; e no “Seminário Regional da Secretaria de Assuntos Municipais da APP-Sindicato”, voltado à formação dos núcleos sindicais, secretários municipais e representantes das comissões organizadoras dos Planos Municipais de Educação (PMEs), ampliando o debate sobre a elaboração dos mesmos.
Vanhoni falou sobre as conquistas garantidas na nova legislação, ressaltando os desafios e a adequação das metas do PNE às realidades regionais de cada município.
Clique e conheça as 20 metas previstas pelo PNE e seus números adequados à realidade do Estado do Paraná.

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“Estamos aqui discutindo o Plano Municipal de Educação porque há uma previsão legal do Plano Nacional sancionado pela presidenta Dilma em junho de 2014 estipulando o prazo de um ano para que os estados e os municípios tenham seus planos realizados, para que o Brasil possa pensar a educação de maneira sistêmica em todo o país.
A realidade local é o que vocês vão discutir, pois vocês a conhecem. O que eu pretendo trazer aqui hoje são alguns números, algumas reflexões e alguns dados sobre a educação no Brasil como um todo, para que possamos comparar a proximidade ou a diferença da realidade aqui do Paraná, da cidade de Ipiranga ou de Guarapuava, pois o resto do Brasil tem tais problemas, iguais ou parecidos com os nossos daqui, nesse imenso país.”
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“Nós somos 200 milhões de brasileiros. Desses 200 milhões, todo dia acordam de manhã e vão para dentro da escola no Norte, no Nordeste, aqui no Paraná, no Brasil inteiro 50 milhões de alunos. Não é pouca gente! E na educação infantil por exemplo – de 0 a 3 anos – nós temos 11 milhões de crianças no Brasil, e nós queremos colocar 5 milhões de crianças na escola nos próximos 10 anos, porque só temos 2 milhões de crianças, hoje, frequentando alguma creche. São poucas as creches comunitárias e são muito poucas as creches públicas no nosso país. Porque o Brasil, ao longo desses últimos 100 anos nunca teve uma política pública para a educação infantil. Está começando a desenvolver agora nos últimos 10, 15 anos o que é uma realidade na Europa há mais de 50 anos.
Então, um aspecto é universalizar, colocando para dentro quem está de fora, e outra questão é a proposta pedagógica. Em países desenvolvidos, na Itália, na Inglaterra, existe proposta pedagógica para crianças de 0 a 3 anos, e para as crianças de 4 e 5 anos. Enquanto a proposta pedagógica desenvolvida por nós até agora é incipiente, tem pouco acúmulo, tem pouca experiência do ponto de vista público. E vejam, nós estamos falando de uma proposta pedagógica para 11 milhões de crianças de 0 a 3 anos e aproximadamente 6 milhões de crianças de 4 e 5 anos!
Outra coisa ainda é a formação continuada do professor, a valorização financeira da profissão, plano de cargos e salários, etc…”

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“… eu falo isso porque o desafio do Brasil na educação é monumental! Desses 50 milhões de brasileiros que estão frequentando a escola, a grande falta ocorre em duas modalidades: no ensino infantil, de 0 a 5 anos, e no ensino superior, onde o nosso problema é gravíssimo! Temos hoje 7 milhões frequentando uma faculdade, mas nós temos 42 milhões de jovens de 18 a 24 anos no Brasil.
Temos 9 milhões de jovens de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio e 1 milhão e 400 mil se formam todo ano. Mas, destes 1 milhão e 400 mil que se formam anualmente no ensino médio, apenas a metade sai com compreensão de matemática suficiente para entrar na faculdade. Então, isso poderá ser um problema mais para a frente, não é?
Nós temos um problema na base porque o país nunca se dedicou à base, e nós temos um grande desafio no ensino médio e no ensino superior. No ensino superior o desafio é ainda maior porque, do ponto de vista público, dos 7 milhões de matriculados apenas 1,5 milhão estão numa universidade pública. É muito pouco para 150 anos de educação no Brasil! A Argentina tem 36% dos jovens matriculados no ensino superior, o Chile tem 38%, os Estados Unidos, a França e a Inglaterra tem 60% dos jovens de 18 a 24 anos de idade matriculados no ensino superior.
Minha opinião sobre o Plano Nacional e os Planos Estaduais e Municipais que vão orientar a educação nos próximos 10 anos é a de que existem duas questões cruciais. Ampliar o ensino superior público, expandir a educação infantil, enfrentar o problema do ensino médio, todas essas medidas de inclusão são fundamentais, mas nós temos que enfrentar o problema da qualidade da educação. A nossa criançada tem que terminar a série conhecendo muito bem os conteúdos daquela série, daquela etapa, mas, além de estar conhecendo elas tem que estar com vontade de continuar estudando. Para isso precisamos de um esforço monumental envolvendo os prefeitos, governadores e o presidente da República na direção da educação integral, avançar na educação integral.”
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“Na Europa inteira, mesmo em Portugal ou na Grécia, que são países mais pobres e que estão passando por dificuldades, os pais deixam as crianças na escola as 7, 8 horas da manhã e vão buscar as 5 horas da tarde. Tem tempo para o professor organizar uma grade curricular, fazer um reforço do ponto de vista dos conteúdos e desenvolver nas crianças a parte da emoção, do coração, que faz parte do ser humano e que nós aqui no Brasil estamos trabalhando de forma errada.
Nós não desenvolvemos a parte cultural das nossas crianças, a parte artística. Não tem aula de musica, não tem aula de teatro, não tem dança. Nós estamos formando a criançada apenas para o mundo do trabalho e não para o mundo dos valores, para o mundo da cultura. Por isso o sujeito cresce e depois não sabe fazer juízo de valor sobre o que é certo e o que é errado. E isso a gente aprende não apenas com o que está escrito no quadro negro, a gente aprende com vivência, aprende com valores, com uma junção da razão com as questões mais profundas da alma, da valorização do que é ser humano. Então nós temos que mudar, com educação integral, com esse espaço maior que a LDB já prevê que a gente institua no Brasil, que outros povos no resto mundo perseguiram e que nós aqui, renitentemente insistimos em não fazer.
Muitos prefeitos pelo Brasil afora tem feito educação integral, mas para que isso dê resultado o professor tem que ser valorizado, o professor tem que ser respeitado, e essa é a outra questão fundamental. Se em 10 anos nós dobrarmos o piso dos professores e equipararmos o seu salário ao de profissional de mesmo nível – isso quer dizer que o professor com nível superior iniciará a carreira recebendo o mesmo salário de um profissional com igual graduação de outra área, em engenharia por exemplo. Se vocês que são professores, e nós da sociedade civil que temos a compreensão de que a educação é a principal ferramenta de mudança para se construir uma vida melhor, se a gente não exigir isso, não vamos esperar que o Congresso Nacional, que a Câmara de Vereadores ou o presidente da República o façam.
Espero ter contribuído com o debate trazendo uma visão mais geral na intenção de, ao mesmo tempo, ajudar a elaborar depois o Plano Estadual de Educação. Agradeço o convite. Obrigado.”
1Vista do Parque do Lago, em Guarapuava.
Fotos: Gilson Camargo

Fotos: Gilson Camargo Tweet renato janine ribeiro, ministro da educação

1174911_697387520276047_1982956791_nFoto: Paulo Quintas / Ed. Globo.
O professor de ética e filosofia política, Renato Janine Ribeiro, em sua contribuição para a melhoria da educação brasileira encontrará alguns desafios fundamentais à frente do Ministério da Educação: a inclusão social buscando a universalização da educação infantil, o enfrentamento de modo decidido aos problemas do ensino médio, a expansão do ensino superior, a melhoria na qualidade da educação, e o cumprimento dos prazos de implementação das 20 metas do Plano Nacional da Educação (PNE) aprovado em 2014 e válido por dez anos; o que exigirá esforço, articulação e entendimento entre a União, Estados e municípios.
Em recente entrevista concedida ao jornalista Alberto Dines, no programa Observatório da Imprensa, Ribeiro defendeu a expansão de conceitos tradicionais do ensino à era da informação, adotando elementos da área de cultura e sem as limitações tradicionais da relação professor-aluno. “Acredito na educação como libertação. Não é apenas uma transmissão de conteúdos, uma padronização das pessoas”.
Desejamos ao novo ministro sucesso em sua missão. É com educação que a gente muda o Brasil.

Twitter Angelo Vanhoni